Guiné Equatorial, um país governado pelo “pior ditador de África”

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Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, presidente da Guiné Equatorial há três décadas – o mais longo governo do continente, desde que fez um golpe de Estado e executou o tio, em 1979 – foi rotulado como o pior ditador de África.

Considerado um dos 10 mais corruptos líderes mundiais, acredita-se que controla as receitas do petróleo do país, tendo uma fortuna calculada em mais de 700 milhões de dólares numa nação onde 70% da população vive apenas com dois dólares por dia (1,40 euros). E já foi várias vezes acusado de canibalismo: os seu opositores garantem que Obiang tem o hábito de comer partes do corpo dos seus inimigos para ganhar força e poder”.

Leia também: Banif faz acordo com Guiné Equatorial para fechar recapitalização

O pequeno país da África Central, antiga colónia espanhola, é um dos maiores produtores de petróleo da África Subsaariana, sendo um dos países com maior PIB per capita do mundo (cerca de 26 mil dólares, o que põe o país no 69.º lugar). Porém, a riqueza está tão mal distribuída que menos de metade da população tem sequer acesso a água potável e 20% das crianças morrem antes de fazerem cinco anos, segundo os dados das Nações Unidas.

Em termos de Direitos Humanos, a Guiné Equatorial é um dos piores países do mundo, tendo sido classificado no relatório anual da Freedom House entre “os piores dos piores”, com problemas graves de tráfico de pessoas, tortura, raptos, prisões arbitrárias, corrupção, sem liberdade política real ou de imprensa, denunciam repetidamente a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch. As eleições são consideradas um teatro, dando repetidamente a vitória a Obiang – a última vez foi em 2002, com 97% dos votos a favorecer o ditador.

A falta de respeito pelos Direitos Humanos tem sido, precisamente, o que tem adiado desde 2006 a entrada da Guiné Equatorial na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que volta a ser debatida este verão em Díli, Timor, depois de, há um ano, Paulo Portas (então ministro dos Negócios Estrangeiros) ter explicado que o processo voltava a ser adiado uma vez que “o país não fez progressos
suficientes nas questões dos direitos humanos”. Portugal tem sido o principal obstáculo ao processo, exigindo que o país empreenda uma série de mudanças internas, nomeadamente o fim da pena de
morte, para ser aceite na CPLP.

Apesar de tudo, o país é um dos aliados dos Estados Unidos e o próprio presidente Obama recebeu o líder da Guiné Equatorial em 2009.

Ainda assim, em 2011 os Estados Unidos entraram numa batalha legal para apreender os bens do filho do ditador africano, Teodoro Nguema Obiang Mangue, vice-presidente do país africano e indicado como sucessor do pai – uma casa de 30 milhões de dólares em Malibu, um jato de 38,5 milhões, um Ferrari de mais de meio milhão. Os EUA acusam o vice-presidente da Guiné Equatorial se roubar o povo da Guiné Equatorial. No verão passado, o tribunal decidiu contra o Departamento de Justiça americano, considerando não haver provas de que o dinheiro tivesse sido obtido de forma ilegal.

Dois anos antes, ativistas francesees lançaram uma queixa contra o próprio líder africano. As suspeitas de desvio de dinheiro e roubo de fundos públicos encontravam justificação nas casas (nomeadamente em Paris e na Riviera Francesa) e carros de luxo do ditador. O tribunal arquivou o caso em 2010 por uma questão técnica: chefes de Estado não podem ser processados por ativistas.

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