Coronavírus

Gulbenkian e EDP dão 200 mil euros para desenvolver soluções digitais de saúde

Carlos Moedas (Gerardo Santos / Global Imagens)
Carlos Moedas (Gerardo Santos / Global Imagens)

Carlos Moedas explica como projetos, que vão da telemedicina à difusão de informação, podem ajudar.

Soluções digitais ao serviço da saúde pública, que podem ajudar neste contexto particularmente difícil de pandemia. Assim se resume a parceria que junta a Fundação Calouste Gulbenkian e a EDP com o objetivo de apoiar financeiramente soluções digitais no âmbito da saúde. Trata-se de um montante de 200 mil euros que vai chegar a 19 projetos selecionados pelo seu imenso potencial.

“Neste concurso, em parceria com a EDP, conseguimos mobilizar perto de 300 candidaturas de grande qualidade e em tempo recorde, conta ao Dinheiro Vivo Carlos Moedas, administrador da Gulbenkian. O ex-comissário europeu que mantém a ligação à ciência e à educação conta ainda que desse notável bolo de criatividade e trabalho foram selecionados “19 projetos de elevado impacto em áreas muito distintas, que vão da telemedicina à difusão de informação adaptada a diferentes públicos, ao apoio às pessoas e organizações que estão na linha da frente do combate a esta pandemia”.

Exemplo do tipo de projetos em causa e que vão agora beneficiar deste apoio para se desenvolverem é o Health Cluster Portugal, que gerou uma plataforma de apoio técnico remoto à operação de equipamentos de ventilação, que irá entrar em piloto no Centro Hospitalar Universitário de São João e no Hospital de Braga. “Precisamos de instrução para os ventiladores” e esta iniciativa permitirá treinar internos e médicos de anestesiologia para atuarem como intensivistas – sendo um on job training, é de mais rápida execução e os seus efeitos são imediatos.

Outro exemplo é o Centro de Medicina Digital P5, que pretende dar resposta a dúvidas das comunidades sobre a Covid-19, serviços de saúde digitais (avaliação de sintomas), consultas médicas e conselhos de bons hábitos para a população sénior. Com pessoal altamente qualificado, este projeto vencedor também já está em funcionamento e é “um excelente exemplo da responsabilidade social de uma Faculdade de Medicina”.

“Na Fundação Calouste Gulbenkian, queremos inovar permanentemente, concentrando os nossos esforços nas pessoas e nas suas necessidades. As soluções tecnológicas que agora apoiamos são, sem dúvida alguma, ferramentas poderosas para salvar vidas e ultrapassar esta crise de saúde pública”, sublinha o administrador da Gulbenkian, Carlos Moedas.

Iniciativa com arranque imediato

Inserida no quadro do Fundo de Emergência Covid-19, um fundo de cinco milhões de euros criado pela Gulbenkian e aberto a outras entidades – com projetos de apoio previstos nas áreas da Saúde, da Ciência, da Sociedade Civil, da Educação e da Cultura -, cujo objetivo é reforçar a resiliência da sociedade portuguesa em tempos de pandemia, a Gulbenkian Soluções Digitais pretende dar respostas muito concretas.

Com apoio jurídico pro bono da Cuatrecasas, a Gulbenkian e a EDP selecionaram assim 19 projetos das mais diversas áreas, com um aspeto em comum: “são aplicações ou plataformas que se comprometem a promover, de forma imediata e universal, a saúde pública em tempos de pandemia”. As perto de 300 respostas vieram de entidades tão distintas quanto universidades, centros de investigação, associações e empresas de base tecnológica e as escolhidas par beneficiar de apoios num total de 200 mil euros garantem resposta a algumas das necessidades resultantes do novo coronavírus.

Porque essas necessidades são tão vastas como variadas, os apoios vão desde propostas que promovem os cuidados de saúde remotos – apoio clínico digital, apoio técnico remoto à operação de equipamento médico (nomeadamente ventiladores), gestão da sintomatologia e utilização dos dados para estudar a evolução da doença e tele-reabilitação de doentes com AVC (uma das primeiras causas de morte em Portugal) – aos cuidados na área da saúde mental, nomeadamente apoio psiquiátrico mas também de gestão emocional de crianças e jovens confinados.

“Foram também selecionados projetos ligados ao conhecimento científico – deteção de padrões e criação de modelos estatísticos sobre o coronavírus, avaliação do desempenho cognitivo de sobreviventes da doença – e à partilha de informação – há propostas que preveem a implementação de um repositório de evidência científica validada, a criação de uma rede pública de conhecimento em matéria de Covid-19, a partilha de soluções inovadoras e a elaboração de informação especializada, em várias línguas, dirigida à comunidade asiática.”

De acordo com as instituições promotoras da iniciativa, alguns dos projetos apoiados estão mais vocacionados para o apoio à população – seja através da facilitação do acesso de doentes confinados a medicamentos, da promoção de bons hábitos junto da população sénior, da monitorização e mapeamento de necessidades de idosos e doentes crónicos ou do apoio à procura de estabelecimento de bens de primeira necessidade – enquanto outras soluções passam pela mobilização de recursos e redes de apoio (de uma plataforma que propõe fazer o matchmaking entre as IPSS que precisam de ajuda e os cidadãos que a oferecem a projetos de recrutamento e formação acelerada de cuidadores informais).

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