Negócio

Gulbenkian pode fechar venda da Partex aos tailandeses já na próxima semana

A presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, conversa com o presidente e CEO da PTT Exploration and Production (PTTEP), Phongsthorn Thavisin durante a conferência de imprensa de anúncio da venda da Partex à empresa tailandesa, na sede da fundação em Lisboa
TIAGO PETINGA/LUSA
A presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, conversa com o presidente e CEO da PTT Exploration and Production (PTTEP), Phongsthorn Thavisin durante a conferência de imprensa de anúncio da venda da Partex à empresa tailandesa, na sede da fundação em Lisboa TIAGO PETINGA/LUSA

Fonte próxima do processo confirmou que a venda da Partex ao novo acionista pode ficar concluída com o arranque do mês de novembro.

A venda foi anunciada em junho e muito em breve a Partex, petrolífera fundada há mais de 80 anos pelo próprio Calouste Gulbenkian, passará das mãos da Fundação para a PTT Exploration and Production (PTTEP), empresa pública tailandesa de exploração e produção de petróleo.

Fonte próxima do processo confirmou ao Dinheiro Vivo que a venda da Partex ao novo acionista estrangeiro pode mesmo ficar concluída já na próxima semana, com o arranque do mês de novembro.

Ainda que contactados, nem a Fundação Gulbenkian nem a Partex quiseram comentar a informação, mantendo como horizonte temporal para o fecho do negócio o final de 2019.

Em entrevista ao programa semanal do Dinheiro Vivo/TSF A Vida do Dinheiro, o CEO da Partex, António Costa Silva, tinha já, porém, confirmado que o closing da operação estaria para breve: “Estamos na fase final. Esperamos que até ao fim do ano o negócio seja concluído, que a PTTEP seja o novo acionista da Partex, que diga claramente à empresa e aos trabalhadores qual é a sua visão para o futuro, qual o investimento que quer fazer”.

A 17 de junho, no momento de assinatura do acordo de compra e venda, pela presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, e pelo presidente e CEO da empresa, Phongsthorn Thavisin, foi revelado que a operação terá um valor de 622 milhões de dólares (554,5 milhões de euros), “sujeita aos ajustes habituais nestas transações. O acordo seguirá o habitual processo de autorizações, que deverá estar concluído até final do ano”.

Num documento a que o Dinheiro Vivo teve entretanto acesso, a Fundação Gulbenkian explica que o valor de 622 milhões de dólares – a que ainda acresce o pagamento de juros (indexados à taxa LIBOR – London Interbank Offered Rate, taxa de referência diária, calculada com base nas taxas de juros oferecidas para grandes empréstimos entre os bancos internacionais que operam no mercado londrino + 3%) – será pago pela PTTEP na data do closing.

Uma parte residual, 22 milhões de dólares, ficará no entanto dependente da extensão de uma licença de exploração em que a Partex participa, podendo ser recebida “nos próximos anos”.

O mesmo documento refere ainda que “o closing deverá ter lugar entre 7 a 10 meses após essa data, estando dependente da autorização da autoridade da concorrência do Cazaquistão, entre outras”.

Nas palavras mais recentes do CEO da Partex, “a Gulbenkian já é passado” e António Costa Silva está agora 100% disposto a trabalhar com o novo acionista tailandês. “Sabemos que no Médio Oriente todos os projetos que identificámos, quer na parte do petróleo quer no gás, eles estão completamente disponíveis para fazer o investimento. Omã é um dos países que vão criar um hub de gás porque houve descobertas importantes no país. Em Moçambique, a PTTEP também vai estar nesse segmento e pensamos que as nossas valências também em termos do gás natural liquefeito e de toda a tecnologia e know-how que temos na área serão valorizadas pela PTTEP”.

No entanto, na mesma semana em que António Costa Silva garantiu em entrevista ao Dinheiro Vivo e à TSF que a PTT Exploration and Production (PTTEP) “não tem a cultura de despedir pessoas” e que “foi a melhor escolha para a Partex”, depois de a Fundação Gulbenkian ter optado por não investir mais no petróleo e no gás, os trabalhadores da petrolífera Partex decidiram impugnar em tribunal a decisão do governo português de não se pronunciar sobre a venda da empresa aos novos acionistas tailandeses, por temerem um despedimento coletivo daqui a dois anos, data em que alegadamente dizem terminar o handover dos ativos à PTTEP.

No comunicado divulgado em junho aos jornalistas, a Gulbenkian afirmava que a tailandesa PTTEP pretende utilizar a Partex como uma plataforma de crescimento, alargando as relações que a empresa detém nos países em que opera. E garantia: “A PTTEP compromete-se a manter a gestão e restantes colaboradores da empresa, bem como o escritório em Lisboa, segundo os termos acordados para a transação. A PTTEP compromete-se ainda a manter a marca Partex”.

Questionado sobre se a conclusão do negócio é compatível com o processo de impugnação que deu entrada no tribunal, o CEO da Partex recusou comentar. “A minha preocupação é tentar manter, dentro das melhores condições possíveis, o barco à tona, dialogar com todas as partes, perceber que estes processos de mudança são sempre traumáticos, mas tudo isto nos faz crescer”, disse Costa Silva à Vida do Dinheiro.

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