OCDE

“Este crescimento é medíocre”… e nem sequer conta com o caso Huawei

Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, e Pedro Siza Vieira, ministro da Economia. Fotografia: Diana Quintela/ Global Imagens
Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, e Pedro Siza Vieira, ministro da Economia. Fotografia: Diana Quintela/ Global Imagens

"Há muitos riscos negativos que lançam sombras negras sobre a economia global e o bem-estar das pessoas", lamenta a economista-chefe da OCDE.

O pior cenário aconteceu e daqui em diante pode ser sempre a descer, alerta a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), no seu novo panorama sobre as economias mais desenvolvidas do mundo (outlook), divulgado esta terça-feira.

Todos os novos cenários da OCDE, já de si piores face a novembro, estão baseados em dados obtidos “até 15 de maio”, diz a organização; ou seja, antes do caso Google/Huawei ter eclodido, por exemplo.

Em novembro, o chamado clube dos países desenvolvidos, que está cristalizado na OCDE, previa em novembro que o crescimento mundial abrandasse de 3,7% em 2018 para 3,5% este ano. Pelas novas contas do novo outlook da primavera, 2018 acabou pior, a crescer 2,5%, e em 2019 baixa para 3,2%.

No comércio mundial, o solavanco é ainda maior: o ritmo cai para quase metade. Estava a crescer 3,9% em 2018; fica-se pelos 2,1% em 2019.

No grupo dos “ricos”, da OCDE, onde não cabe a China, por exemplo, o crescimento da economia ia suavizar de 2,4% para 2,1% este ano, no outlook de novembro. Agora, a descida é de 2,3% para 1,8% em 2019.

A travagem é bem mais brusca na zona euro, arrastada pela Alemanha (quase estagnada por causa do impasse nas exportações), por França e Itália (quase em recessão, estagna em 2019, 0%). No outlook de novembro, a OCDE estimava um ligeiro deslize no crescimento da área do euro de 1,9% no ano passado para 1,8% em 2019. Agora, diz que será de 1,8% para apenas 1,2%, respetivamente.

Laurence Boone, a economista-chefe da OCDE, está bastante pessimista. “Esta perspetiva de crescimento medíocre depende de uma não deterioração das tensões comerciais, que se estão a espalhar pelas Américas, Ásia e Europa. As simulações deste outlook mostram que as novas tensões entre os Estados Unidos e a China podem reduzir em mais de 0,6% o produto interno bruto (PIB) global em dois ou três anos.”

Todas estas considerações são feitas num ambiente cada vez mais incerto e hostil no campo do comércio internacional. À data de fecho das simulações da OCDE ainda nem sequer havia notícias acerca da eventual rutura entre os líderes norte-americanos e globais da internet, a Google, e a gigante tecnológica chinesa, Huawei.

Boone não poupa na adjetivação. Diz que “as perspetivas permanecem fracas e há muitos riscos negativos que lançam sombras negras sobre a economia global e o bem-estar das pessoas”.

“A China continua a ser uma fonte de preocupação, já que a implantação de instrumentos monetários e orçamentais não tem somente efeitos incertos sobre o crescimento, mas também pode continuar a alimentar a dívida das empresas não financeiras, já de si em níveis recorde.”

Assim, “estimamos que uma redução de 2 pontos percentuais no crescimento da procura doméstica na China, durante dois anos e num contexto de maior incerteza, possa reduzir o PIB global em 1% no segundo ano”, afirma a mesma economista da organização chefiada por Angel Gurría.

Fonte: OCDE

Fonte: OCDE

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