Ambiente

Guterres desafia principais países emissores a fazer “muito mais” no próximo ano

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, no COP25, em Madrid.  EPA/ZIPI
António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, no COP25, em Madrid. EPA/ZIPI

António Guterres afirmou que a conferência COP25 está a mostrar "quem cumpre e quem não cumpre".

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, exortou hoje os países que emitem mais gases com efeito de estufa a fazerem “muito mais” para as diminuir, ou todos os esforços para combater alterações climáticas serão prejudicados.

Falando num plenário da 25.ª Conferência das Partes (COP25) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que decorre em Madrid, António Guterres considerou que os países responsáveis por mais emissões deverão ser a prioridade nos próximos 12 meses, até à COP26, em que os países signatários do Acordo de Paris terão de anunciar a revisão dos seus compromissos de redução de emissões de gases com efeito de estufa.

“Está na altura de falar a sério”, afirmou o líder das Nações Unidas, apelando aos maiores emissores para cumprirem as suas promessas ou “todas as próximas gerações pagarão um preço incomportável”.

António Guterres afirmou que a conferência está a mostrar “quem cumpre e quem não cumpre”.

Elencou dez prioridades, a primeira das quais “garantir que todos os principais países emissores” assumem em 2020 compromissos em linha com o objetivo de manter o aumento da temperatura global até ao fim do século abaixo de 1,5 graus centígrados em relação à era pré-industrial.

Defendeu ainda que tem que se cortar a capacidade atual de produção de energia a partir do carvão, defendendo que não se construa “nem mais uma central a carvão a partir de 2020”, considerando que a aposta no carvão é uma das maiores barreiras ao combate às alterações climáticas.

O secretário-geral da ONU exortou ainda “todos os governos” que ainda não o fizeram a seguirem o exemplo de “75 por cento das nações” que já se comprometeram a caminhar para a neutralidade carbónica com metas concretas, apontando para que se atinja em 2050 ou antes.

A dimensão social das alterações climáticas é também central, considerou, defendendo que se garanta “uma transição justa” para todos os trabalhadores das indústrias poluentes que deverão dar lugar a alternativas limpas e para os grupos populacionais mais vulneráveis, como as mulheres dos países mais pobres.

Toda a transição tem que ser acompanhada “pelos fluxos financeiros”, os impostos devem ser aplicados “ao carbono e não às pessoas” e é preciso “acelerar a transição para energias 100 por cento renováveis”.

Guterres defendeu que é precisa “mais ambição, mais urgência, mais solidariedade” e reiterou que “os próximos 12 meses serão cruciais”.

“Ainda estamos muito atrasados, mas há razões para acreditar que conseguimos”, deixou à plateia de delegações internacionais.

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