Há 1,5 milhões de casas degradadas em Portugal e são precisos 38 mil milhões para as reabilitar

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Há 1,5 milhões de casas degradadas em Portugal e são precisos 38 mil milhões de euros para reabilitar o parque habitacional. Cerca de 24 mil milhões, ou seja, 63% do total, correspondem a intervenções em edifícios muito degradados. A região Norte representa um terço do custo estimado. As conclusões são de um estudo da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), encomendado à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e que esta tarde é apresentado no Porto, com a presença do ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e da Energia, Jorge Moreira da Silva.

O trabalho, que pretende constituir-se como um “instrumento para o decisor político e para as empresas que, desta forma, conhecendo o mercado potencial, podem posicionar-se”, faz um diagnóstico preocupante da situação do mercado. Há “profundo desfasamento entre a oferta e a procura” de habitação em Portugal, garante a CPCI. E explica: O rácio de alojamentos por família é de 1,45, mas “subsistem elevadas carências de habitação”, com 1,5 milhões de fogos degradados a necessitar de intervenção e 468 mil famílias a viver em casas sobrelotadas. Portugal é o segundo país da Europa com a pior taxa de arrendamento da Europa.

Considerando o total do parque habitacional, incluindo residências secundárias e alojamentos turísticos, e as habitações sobrelotadas ou em mau estado de conservação, conclui o estudo da CPCI que há 3,9 milhoes de habitações em condições de utilização, número inferior em 102 mil fogos ao número de famílias residentes no país.

Para além da visão global do território, o trabalho da CPCI avança com um índice compósito de carência qualitativas – degradação, sobrelotação e carência de infraestruturas – a nível municipal. Conclui, por exemplo, que nos 30 municípios urbanos com maior índice de degradação, há 126 mil edifícios com necessidades de reparação muito significativas. “São prédios que, em muitos casos, podem colocar em causa a própria segurança pública”, frisa Reis Campos, presidente da Confederação.

Já nos 30 municípios urbanos com maior índice de sobrelotaçõa há 238 mil famílias que vivem em casas sobrelotadas. Por fim, e no que à carência de infraestruturas diz respeito, os dados mostram “uma forte desigualdade no território nacional e a existência de focos onde este problema existe e não pode ser ignorado”, sublinha. O índice varia, nos 278 municípios do continente, entre 0,18 e 5,11, “o que revela bem as diferenças e desigualdades sociais em Portugal”, sustenta Reis Campos.

A CPCI estima que, em 87% das freguesias portuguesas, o investimento necessário para a reabilitação do património habitacional seja superior a um milhão de euros. E em 33 freguesias as necessidades superam menos os 100 milhões de euros.

O estudo analisa, ainda, o posicionamento das empresas no mercado da reabilitação urbana e as suas principais dificuldades e conclui que cerca de dois terços das construtoras inquiridas trabalha neste segmento de mercado: 18,9% de forma permanente e 47,8% de forma ocasional. Destas, 83,7% fatura até dois milhões de euros ao ano e 94,6% até 10 milhões. Entre os principais obstáculos apontados pelas empresas no mercado da reabilitação, 35% apontam a falta de procura por parte de investidores/proprietários, 33,8% a dificuldade no acesso a financiamento bancário, 30,6% a complexidade do licenciamento e 28,8% o custo do financiamento.

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