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Há 534 mil desempregados na sombra que não estão na taxa oficial

Pedro Mota Soares
Pedro Mota Soares

Portugal ainda tem 534 mil pessoas que estão, na prática, sem emprego e nas margens do mercado de trabalho, indicam dos dados do inquérito hoje divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

No quarto trimestre de 2014, os números são: 251,7 mil pessoas em situação de subemprego, 24,6 mil que aparecem como inativos à procura de emprego, mas não disponíveis, e 257,7 mil inativos disponíveis, mas que não procuram emprego.

Se a retoma fosse mais vibrante e houvesse mais incentivos e trabalhos mais bem remunerados, era natural que este número de pessoas que está na margem tivesse menos expressão.

Subempregados

A subida mais expressiva acontece no subemprego, o grupo de pessoas que estando a trabalhar a tempo parcial, dizem que desejam trabalhar mais horas. Um trabalho em part time tem uma duração média de 4 horas diárias.

Tratam-se pois de pessoas que terão um horário muito curto e uma remuneração em conformidade, mas que pretendem aumentar o tempo de trabalho para ganhar mais.

Ora, no quarto trimestre esse contingente de quase desempregados aumentou mais de 8% (mais 19,6 mil), para 251,7 mil casos, diz o INE. Mas em termos homólogos a situação está um pouco melhor, tendo este grupo diminuído em 2,9%.

Mais reformados, estudantes e emigrantes

Ambos os segmentos de inativos também estão a cair em termos homólogos, o que indica uma melhoria do panorama deste desemprego sombra.

Mas com um ritmo de criação de emprego de apenas 0,5% na economia como um todo (variação homóloga no quarto trimestre de 2014), a referida melhoria — apesar de refletir alguma da retoma fraca do emprego — terá mais a ver com outros fatores, como a passagem à reforma, pessoas que voltaram a estudar e com a emigração.

Inativos que podiam estar a trabalhar

O número de inativos à procura de emprego, mas não disponíveis, caiu 17%, embora tenha piorado 5,6% face ao terceiro trimestre.

Os 257,7 mil inativos disponíveis que não procuraram emprego, recuaram 11% face ao último trimestre de 2013 e 7% face ao terceiro trimestre de 2014.

1,2 milhões de desempregados?

Em todo o caso, num país que oficialmente tem 698,3 mil desempregados, significa que o desemprego em sentido mais lato ainda abrange quase o dobro da população estimada.

Juntando os casos marginais do mercado de trabalho, significa que há 1,2 milhões de desempregados em Portugal e que a taxa de desemprego implícita é de 23,8% da população ativa e não 13,5% como emerge do inquérito ao emprego.

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