Emprego

Há falta de mão de obra qualificada desde o têxtil às tecnologias

Fotografia:  Gonçalo Delgado / Global Imagens
Fotografia: Gonçalo Delgado / Global Imagens

Emprego. Com milhares de vagas por preencher, o desfasamento entre a oferta e a procura pode travar o crescimento de alguns setores

Tecnologias de informação (TI), hotelaria e turismo, agricultura, indústria, centros de serviços partilhados, engenharia. Estas são, de acordo com as empresas de recrutamento ouvidas pelo Dinheiro Vivo, algumas áreas-chave onde se verifica maior procura de trabalhadores e, ao mesmo tempo, há uma maior falta de profissionais especializados.

Em alguns setores de atividade, sobretudo na indústria, existem dezenas de milhares de oportunidades de emprego para as quais não há mão de obra disponível no imediato. Isto num país onde a taxa de desemprego ainda é de 10,1% e onde há mais de meio milhão de pessoas sem trabalho.

“Nestes últimos dois anos registou-se uma procura crescente de mão de obra na indústria têxtil e a resposta é insuficiente”, garante João Costa, presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal. Apesar do investimento em mais horas de formação profissional “é difícil encontrar pessoas para trabalhar”.

Até maio o setor cresceu 4,2% e estima-se que o volume de exportações chegue aos 5200 milhões de euros até ao final do ano. Um crescimento que poderá ficar comprometido, diz João Costa, caso não seja resolvido o desfasamento entre a procura e a oferta de emprego. “Com mais mão de obra, as empresas poderiam aceitar encomendas maiores e exportar mais”, garante.

O mesmo cenário repete-se noutras indústrias, como o calçado ou a metalurgia e metalomecânica. Nesta última, os números de operários em falta ascendem já a 10 mil, devendo este número duplicar até ao final de 2017, confirmou ao Dinheiro Vivo a própria Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal.

A “dificuldade em arranjar pessoas para trabalhar” no setor do calçado é sublinhada também por Fortunato Frederico, ex-presidente da APICCAPS. “Até há um ano não tínhamos dificuldade em recrutar. Se o país continuar a crescer, vamos chegar ao ponto de ter de importar mão de obra”.

As empresas de recrutamento confirmam. “Existe uma forte carência de técnicos não superiores altamente especializados, resultado sobretudo da menor capacidade de atração de recursos para estas áreas”, refere Carla Rebelo, diretora geral da Adecco.

Um dos principais problemas do mercado de trabalho reside no “desfasamento entre o ensino e o mundo empresarial, e na fuga de talento para o mercado internacional por via de menor competitividade salarial em Portugal”, diz Francisco Sanchez, diretor da Ray Human Capital.

Este é um fenómeno a que as empresas de recrutamento assistem bem de perto, sobretudo nas TI, onde existe uma realidade de “quase pleno emprego” e “dificuldade em encontrar candidatos em áreas pouco desenvolvidas, como por exemplo big data”, diz Álvaro Fernandez, diretor geral da Michael Page, referindo que o mesmo acontece no caso dos centros de serviços partilhados, para os quais “não encontramos profissionais com formação e/ou experiência”. Uma primeira solução, defende, poderia passar por “identificar profissionais que estejam a trabalhar fora de Portugal e queiram regressar”.

Da mesma forma, referem Isabel Meireles e Inês Calhabéu, da Egor, “é necessário um esforço por parte das empresas para equiparar as remunerações de Portugal aos níveis europeus, nomeadamente de Espanha, para se conseguir aumentar a atratividade do país em termos de candidatos qualificados, cada vez mais seletivos quanto aos projetos” em que querem trabalhar. Maior “capacidade de formação interna” é o desafio deixado às empresas tecnológicas por António Carvalho, da Kelly Services.

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