Há mais emprego, mas grande parte é financiada pelo Estado

IEFP registou 15 643 ofertas de emprego em maio

A Vista Alegre procura 25 licenciados para gestores comerciais. A portuguesa Parfois tem 150 vagas para as lojas de todo o país, em áreas como finanças ou recursos humanos. A LinkedCare quer 24 colaboradores em engenharia informática, marketing e atendimento ao cliente. Das startups às multinacionais, os anúncios de emprego multiplicaram-se nos últimos meses, reforçando a certeza do Governo de que a redução do desemprego é já sinal da retoma. Mas centenas destas vagas são criadas ao abrigo de programas de incentivo em que parte dos salários é paga pelo próprio Estado.

Os números não enganam. No final do primeiro trimestre, o INE contava 4 426 900 pessoas empregadas, um aumento homólogo de 1,7%. O IEFP registou 15 643 ofertas de emprego em maio, mais 22% que há um ano. As empresas de recrutamento confirmam o aumento de vagas no mercado de trabalho. Os empresários, sobretudo do retalho têxtil, indústria automóvel, banca e tecnologias de informação, procuram candidatos com licenciatura ou mestrado, oferecendo uma média salarial de 1300 euros ilíquidos, diz a Randstad. Já a Kelly Services destaca os sectores de engenharia, energia, finanças e indústria, notando que os contratos têm um prazo mais alargado face ao que era habitual e que os salários rondam os 2000 euros.

O que os dados oficiais não têm em conta são as medidas ativas de criação de emprego e as ações de formação profissional, financiados pelo Estado e responsáveis por 90% das respostas que o IEFP dá. Um estudo do economista Eugénio Rosa, da CGTP, mostra que 161 868 desempregados estavam “ocupados” nestes programas em abril. A evolução é abismal: o número cresceu 115,3% em pouco mais de um ano. Resultado: nos primeiros cinco meses deste ano, 96% dos 225 milhões de euros disponíveis para o programa Estágios Emprego já estavam “esgotados” para pagar aos jovens colocados. O ministro Pedro Mota Soares adiantou ao Expresso que é “expectável” que haja necessidade de reforçar o orçamento com 35 milhões de euros.

Para a estatística, aqueles que estão em contratos Emprego Inserção (que preveem apoios de até 377 euros para que desempregados realizem “atividades socialmente úteis”), Estímulo Emprego (cujas remunerações são comparticipadas em 50% pelo Estado) ou estágios profissionais IEFP (que duram um ano, sendo comparticipados entre 80% e 100%), são contabilizados como empregados. Somar estas pessoas à taxa de desemprego, que no primeiro trimestre foi de 15,1%, levaria este valor para 18,2%. Se a isto juntarmos a emigração – no primeiro trimestre, emigraram 61,7 mil portugueses com idade até 34 anos – “é fácil de compreender por que razão o desemprego está a diminuir”, diz o economista. Mas só nas estatísticas.

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