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Há menos milionários em Portugal mas riqueza média está a aumentar

Dinheiro

Os números são do Instituto de Pesquisas do Credit Suisse, que publicou hoje a nona edição do Relatório de Riqueza Global

A riqueza dos portugueses está a aumentar mas o número de milionários no país caiu face ao ano passado. São estas as principais conclusões do relatório de Riqueza Global que o Credit Suisse publicou esta quinta-feira.

Segundo a análise do banco, que usa o dólar como referência, no período de 12 meses que encerrou em meados de 2018, o número de pessoas em Portugal com mais de um milhão de dólares (866 mil euros) em património ascende aos 94 200.

No mesmo período do ano passado, havia mais de 99 mil portugueses com esta quantia amealhada.

No entanto, estes dados foram atualizados pelo Credit Suisse, já que o relatório de 2017 mostra uma realidade muito diferente. O levantamento do ano passado revela que em meados de 2017 havia em Portugal 68 mil milionários.

Questionado pelo Dinheiro Vivo sobre a disparidade dos números, o banco explicou que os valores “são revistos ao longo do tempo”.

“As estimativas para o ano corrente são baseadas na melhor informação disponível, mas os dados são revistos ao longo do tempo. Os números da riqueza por adulto para Portugal em meados de 2017 foram revistos em alta, levando a um ajustamento do número de milionários. Este ano, a riqueza por adulto mudou muito pouco ao longo dos últimos 12 meses e/ ou a desigualdade diminuiu, daí resulta a redução do número de milionários”, explica o banco.

Mas as previsões do Credit Suisse para Portugal são otimistas: em 2023, deverão ser perto de 126 mil os portugueses donos de mais de um milhão de dólares. Portugal consta no 30º lugar do ranking dos milionários, que analisou a riqueza em 139 países. Os países com mais milionários são os Estados Unidos, a China e o Japão.

Em relação a 2017 também caiu o número de multimilionários em Portugal. A análise mostra que existem atualmente 358 pessoas no país com mais de 50 milhões de dólares, o que coloca Portugal no 40º lugar da lista. No ano anterior eram 382. Também aqui as previsões são animadoras. O Credit Suisse estima que em 2023 haverá 478 portugueses com uma fortuna superior a 50 milhões de dólares.

O pódio dos multimilionários pertence aos Estados Unidos, à China e à Alemanha. No total, o topo da pirâmide da riqueza, que abrange todas as pessoas que detêm mais de 100 mil dólares, representa 9,5% da população mundial. Estes detêm 84,1% de toda a riqueza global, menos 1,9% face a 2017.

Já o fundo da pirâmide é composto por 90,5% da população mundial

Em trajetória ascendente desde 2015 está a riqueza média por adulto em Portugal, que em 2018 atinge os 109 362 dólares (94 759 euros), o valor mais alto das séries reveladas no relatório do Credit Suisse, que começam no ano 2000.

Face ao ano passado, o aumento da riqueza média dos adultos portugueses foi de 7,3%. Desde 2015 o valor aumentou 24%. Nesse ano, a riqueza média era de 88 141 dólares (76 371 euros). No ano 2000 o valor do património rondava os 41 mil dólares.

Mais de metade da população portuguesa tem uma riqueza avaliada entre os dez mil e os 100 mil dólares. Há ainda 1,6 milhões de pessoas cujo património vale menos de 10 mil dólares. A riqueza total em Portugal ronda os 916 mil milhões de dólares.

A nível global a riqueza média por adulto também atingiu o valor mais alto de sempre em 2018: 63 100 dólares (54 674 euros), mais 3,2% do que em 2017.

No total, a riqueza global disparou 14 mil milhões de dólares em 12 meses, ou 4,6%, para um total de 317 mil milhões de dólares, “superando o crescimento populacional”, destaca a nota do Credit Suisse.

O estudo destaca que os Estados Unidos são o país que mais contribui para a riqueza global. Há dez anos consecutivos que a riqueza total e a riqueza por adulto cresce em solo americano.

A China continua a solidificar o segundo lugar da “hierarquia mundial da riqueza”, destaca o relatório, enquanto a Suíça e a Austrália são os países com a mais elevada riqueza média por adulto (530 mil dólares e 411 mil dólares, respetivamente).

A análise conclui ainda que os ativos não financeiros foram “o principal
fator de impulso para o crescimento geral em todo o mundo, exceto na América do Norte, e respondendo por 75% do aumento da riqueza na China e na Europa e por 100% da expansão na Índia”.

É ainda de notar que as mulheres já totalizam cerca de 40% da riqueza global.

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