Turismo

Há nuvens a pairar sobre a hotelaria nacional

PortoBay Mare

A taxa de ocupação tem vindo a abrandar desde o início do ano. Ficou-se pelos 59% até abril.

Uma ocupação média ligeiramente abaixo do ano anterior, mas acompanhada por uma subida do preço médio, é a expectativa da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) para este verão. A hotelaria está a atravessar um período “anémico”, reconhece Cristina Siza Vieira, presidente da AHP.

O mau tempo, juntamente com o efeito Páscoa, o regresso dos turistas aos destinos afetados pela Primavera árabe, como a Turquia, Egito e Tunísia, e o brexit são algumas das explicações. O adiar da construção de um aeroporto complementar à Portela é outra das preocupações, devido ao impacto que isso pode vir a ter na chegada de turistas e nas contas dos hotéis.

“Estamos a acompanhar com alguma preocupação a descida da ocupação em Leiria/Fátima/Templários, bem como nos Açores”, diz Cristina Siza Vieira, em declarações ao Dinheiro Vivo. Mas a Secretaria Regional do Turismo dos Açores já veio dizer que, embora admita uma “desaceleração do ritmo de crescimento”, está “em sintonia com a conjuntura nacional e internacional”.

No Centro, nem o “milagre” de Fátima e do surf estão a alavancar o número de reservas. Contudo, o presidente da Turismo Centro de Portugal, Pedro Machado, prevê que a região cresça ao ritmo de dois dígitos.

Por sua vez, Vítor Costa, presidente da Associação de Turismo de Lisboa, acredita que este ano irá culminar com uma subida de 6% a 8% no rendimento médio por quarto disponível. “O problema do turismo em Lisboa é o aeroporto. De resto, tudo vai bem”, alega.

Apesar do abrandamento do turismo, o PortoBay prevê casa cheia neste verão. “Todos os hotéis estão com ocupações altas”, sublinha António Trindade, presidente do grupo hoteleiro. E até a Madeira cresce, apesar de ressentir-se com a falência das companhias aéreas Monarch, Air Berlin e Niki, assim como com o desvio de fluxos turísticos para destinos concorrentes.

Já o administrador do Vila Galé, Gonçalo Rebelo de Almeida, refere que os resultados deste ano “estão em linha” com 2017. Destaca, sobretudo, o desempenho das unidades do Algarve, Lisboa e Porto.

Menos britânicos a chegar

Também na hotelaria algarvia não se nota o mesmo rodopio de ingleses. Até maio, chegaram menos 7,8% do que em 2017, refere Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA). A quebra está relacionada com a desvalorização da libra, explica.

Nos hotéis Dom Pedro, por exemplo, a ocupação caiu 10% em relação ao ano passado. A expectativa é que o esforço de promoção noutros mercados possam contrabalançar a perda de turistas britânicos. É o caso da Dinamarca, Noruega, Suécia, Polónia e Luxemburgo, como exemplifica a AHETA.

Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve, acrescenta que a taxa de ocupação média rondará 95%. “Os meses de junho a setembro não desiludem”, garante.

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