Haiti

Haiti. Solidariedade e turismo no meio dos escombros

O Haiti Photo Book é publicado em breve
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Quase dois anos depois do terramoto que
devastou uma das ilhas mais pobres do Caribe, o Haiti desapareceu
completamente do radar mediático. Depois de um movimento
internacional de auxílio em 2010, que envolveu as mais variadas
empresas e celebridades, o Haiti voltou à periferia das atenções
mundiais.

A economia do país de nove milhões de habitantes está na
mais profunda recessão, continua dependente do exterior e ainda não
recuperou da destruição que atingiu sobretudo a capital
Port-au-Prince.

A ajuda que continua a chegar ao país
vem sobretudo de organizações sem fins lucrativos, mas também de
fundações e, mais recentemente, da base de fãs de uma banda de
rock. De resto, o Haiti mantém-se dependente de empréstimos e
crédito internacional, com destaque para o FMI.

Os protagonistas da onda de
solidariedade, que não parou com o fim da exposição mediática,
são o Haiti Reconstruction Fund, a Rebuilding Haiti, a Clinton
Foundation
e a Echelon Donates, entre outros.

Ontem, a fundação
liderada pelo ex-presidente norte-americano Bill Clinton anunciou
nada menos que a construção de um novo hotel Marriott na capital,
Port-au-Prince, um projecto de 33 milhões de euros que vai abrir em
2014 e criará 174 postos de trabalho. Porquê? É que o governo do
Haiti acredita que a chave para a reconstrução da economia
destruída do país está no turismo.

“Este novo hotel vai simbolizar a
recuperação do Haiti, criando os muito necessários empregos para o
povo e encorajando os estrangeiros a visitar, investir e trabalhar em
Port-au-Prince”, disse Bill Clinton. O hotel será desenhado e
construído pelo Digicel Group, que fez uma parceria com o grupo
Marriott encorajada pela fundação de Bill Clinton.

O grupo Digicel
é, de longe, o maior investidor privado no Haiti. Construíu 70
escolas, reconstruiu o símbolo histórico Iron Market na capital e é
o maior fornecedor de telemcomunicações do país.

Para promover o turismo no país, o
presidente Michel Martelly voou de Port-au-Prince até Caracas, na
Venezuela, onde decorre a reunião inaugural da Comunidade de Estados
da América Latina e das Caraíbas. “Queremos mostrar a outra parte
do Haiti, que nunca foi mostrada ao mundo”, disse Martelly à AFP.
O presidente não quer que o país continue associado à pobreza e à
miséria.

Mas um dos maiores problemas é que a
reconstrução está a ser bem mais lenta que o previsto, e as
condições naturais do país não são animadoras: apenas 2% da
região florestal do Haiti ficou intacta, o que é um problema tendo
em conta que as árvores são a principal fonte de combustível para
cozinhar e ferver água.

“A cólera é um grande problema no Haiti
devido à falta de água potável para beber”, explica ao Dinheiro
Vivo Alicia Zen, uma banqueira de negócios nova-iorquina que lançou
um projecto de ajuda à reflorestação do Haiti em parceria com uma
estudante de informática grega, Sophie.

O projecto chama-se Echelon Donates e é
baseado nos fãs da banda de rock alternativo Thirty Seconds to Mars,
que são chamados a doar pequenas quantias de dinheiro através do
PayPal.

O vocalista da banda, Jared Leto, e o seu irmão, Shannon
Leto, viveram no Haiti quando eram crianças e regressaram ao país
depois do terramoto. Jared tem um livro de fotos tiradas no país
prestes a ser publicado, cujos lucros irão reverter para algumas das
organizações de solidariedade a trabalhar no país. O mesmo vai
acontecer com os lucros do último concerto da tour Closer to the
Edge, no final da semana em Nova Iorque.

Os fãs da banda inspiraram-se e
decidiram contribuir. Alicia explica que a Echelon Donates conseguiu
angariar perto de seis mil dólares para a reflorestação do Haiti
em poucas semanas, que será posto em prática através do projecto
Yele Vert da casa de moda Timberland, Yele Haiti e Trees for the
Future.

Todas as árvores plantadas com este dinheiro serão
simbolicamente oferecidas a Jared Leto pelo seu aniversário, a 26 de
Dezembro. “O projecto Yele Vert faz muito mais que plantar
árvores”, frisa Alicia. “Este projecto ajuda o Haiti a ajudar-se
a si próprio. As árvores injectam combustível, comida e contribuem
para o comércio local”, revela.

O próximo projecto do Echelon Donates
deverá estar relacionado com a ajuda médica no Haiti – algo sem o
qual o plano do presidente Michel Martelly
para tornar o país num destino turístico não irá funcionar. “Sou
presidente de um país que é negligenciado há 200 anos”, disse
ontem em Caracas.

“É minha responsabilidade trazer desenvolvimento
ao Haiti”, completou. Martelly lamenta que a maioria da ajuda e do
dinheiro dados ao país tenham sido direccionados para o curto prazo,
em vez de se focarem na criação de condições económicas para que
as pessoas consigam sobreviver sozinhas.

No terramoto de 12 de
Janeiro de 2010 morreram perto de 225 mil pessoas. Foi o desastre
natural mais violento dos últimos 200 anos no país mais pobre da
América. A ajuda internacional, liderada pelos Estados Unidos (através da USAID) já ultrapassou os dois mil milhões de euros.

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