Turismo

Herdade da Comporta. Estalou o verniz

A Herdade da Comporta apresenta muitas potencialidades turísticas. Fotografia: D.R.
A Herdade da Comporta apresenta muitas potencialidades turísticas. Fotografia: D.R.

Esta sexta-feira deverá ser decidido o futuro da Herdade da Comporta. Os ativos despertaram o interesse de três grupos de investidores

Estalou o verniz no processo de compra da Herdade da Comporta. Depois do consórcio constituído por Paula Amorim e pelo milionário francês Claude Berda, que defende ter apresentado uma proposta de 156,489 milhões de euros para a compra dos ativos imobiliários e turísticos da Comporta, ter levantado dúvidas sobre a idoneidade do investidor inglês Mark Holyoake e sobre a proposta que apresentou pela herdade, chegou a vez destes proponentes acusarem Paula Amorim/Claude Berda de “um conjunto de deturpações de fatos e de falsidades”.

O consórcio Oakvest, Portugália e Sabina, cuja proposta para a Herdade da Comporta é de 155,885 milhões de euros, fez chegar segunda-feira uma carta aos participantes do Herdade da Comporta – Fundo Especial de Investimento Imobiliário Fechado, a que o Dinheiro Vivo teve acesso, acusando Paula Amorim e Claude Berda de “perder no campo e pretender ganhar na secretaria”.

Esta questão prende-se com a decisão tomada a 11 de maio pela Gesfimo, gestora do fundo imobiliário, de selecionar unicamente a proposta do consórcio de Oakvest para ser analisada e votada na assembleia desta sexta-feira com base no argumento de “reunir as melhores condições de preço”. Este argumento retirou a possibilidade de ser analisada a proposta Amorim/Berda, mas no entretanto e por solicitação do Novo Banco, que detém uma participação da ordem dos 15% no fundo, as três propostas a concurso (incluindo também a do francês Louis-Albert de Broglie) vão todas à assembleia desta sexta-feira.

Na carta enviada aos participantes do fundo, o consórcio Oakvest mantém que apresenta “a melhor proposta, com uma diferença de cerca de oito milhões de euros” face à de Amorim/Berda. As contas de ambos interessados divergem e as diferenças centram-se na inclusão ou não dos créditos detidos pelo fundo sobre a DCR & HDC. O consórcio Oakvest reafirma que a oferta do grupo Amorim/Berda é de 147,385 milhões, um diferencial de 7,856 milhões face à de Oakvest, e que nenhum dos dois grupos interessados incluem os créditos do fundo sobre a DCR & HDC.

O consórcio Oakvest frisa ainda que houve “deturpação dos fatos” no que toca à sujeição a financiamento das propostas. Segundo avança, está explícito nas propostas que o Oakvest pagará 36,5 milhões de euros à Gesfimo e que Paula Amorim/Berda assumirão 28 milhões, e ambos a dívida do fundo perante a CGD que ultrapassa os 119 milhões. “Tratando-se de uma compra de ativos com pagamento imediato do preço, a questão da capacidade financeira esgota-se no momento da compra”, lê-se na carta, que adianta que o pagamento da dívida à CGD “está totalmente dependente do acordo a que qualquer interessado na compra dos ativos terá que chegar com a CGD”.

Já sobre as dúvidas da capacidade financeira do consórcio Oakvest para cumprir com as obrigações decorrentes da proposta, este mesmo consórcio volta a acusar o Amorim/Berda de “deturpação dos fatos”. “A Oakvest é detida pelo Sr. Mark Holyoake, que é acionista maioritário e membro do board de uma sociedade cotada no Nasdaq”, “com um turnover anual de cerca de 300 milhões de euros, que opera em sete países e fornece mais de 45 países. A Oakvest tem ativos superiores a 100 milhões de euros e uma experiência de mais de 20 anos na promoção de empreendimentos imobiliários de nível superior, com inúmeros casos de sucesso no Reino Unido”, escreveu aos participantes do fundo.

O consórcio Oakvest defende ainda que a sua proposta “é a única que permite o pagamento integral das dívidas do fundo” e que este “venha a ter a capacidade de distribuir algum capital” aos participantes do fundo.

 

 

 

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