Energia

Hidrogénio vai valer 14% da energia consumida em 2050 em Portugal

Porto de Sines será o ponto de partida para a exportação do hidrogénio produzido.
Foto: Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens
Porto de Sines será o ponto de partida para a exportação do hidrogénio produzido. Foto: Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens

As previsões são da AP2H2: em 2050 Portugal consumirá 245 mil toneladas deste gás verde, suficiente para abastecer cem mil veículos.

Daqui a uma década, Portugal poderá estar a produzir até 395 mil toneladas de hidrogénio verde, dependendo das metas de descarbonização, mais ou menos ambiciosas, e também da redução de custos (entre 50% e 90%) estimada para a produção desta fonte de energia. A conclusão é do estudo “Avaliação do potencial do hidrogénio no sistema energético nacional”, da autoria de três investigadoras portuguesas do Center for Environmental and Sustainability Research (CENSE), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova (FCT-Nova).

O documento, ao qual o Dinheiro Vivo teve acesso, e que será apresentado na segunda-feira pela Associação Portuguesa para a Promoção do Hidrogénio (AP2H2), mostra também que, em 2030, o país estará já a consumir entre 245 e 322 mil toneladas de hidrogénio, o que representará 5% a 7% do consumo total de energia final. Para 2050, a percentagem duplica.

“O hidrogénio pode chegar a representar 14% do consumo de energia em Portugal”, conclui o estudo, realizado no âmbito do projeto Hidrogénio e Sustentabilidade Energética (H2SE), financiado pelo Compete 2020.

“Queremos mostrar que o hidrogénio não é só uma solução competitiva para substituir os combustíveis fósseis no futuro, como vai entrar em força no sistema energético nacional e maximizar a produção de energias renováveis em Portugal”, explicou José Campos Rodrigues, presidente da AP2H2, em declarações ao Dinheiro Vivo. O roadmap para o hidrogénio, que a associação apresentará nesta segunda-feira num workshop na Ordem dos Engenheiros, “contraria os cenários para o hidrogénio desenhados pelo Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC), mas está de acordo com a atual Agenda Europeia”.

As projeções da União Europeia até 2030 apontam para 65 mil milhões de investimento no hidrogénio, 150 mil milhões de euros em negócios gerados pelo setor e ainda a criação de um milhão de empregos, integrando o hidrogénio a short list dos projetos importantes de interesse comum em fase de aprovação por Bruxelas.

Por seu lado, a versão preliminar do PNEC 2030 já submetido por Portugal à Comissão Europeia, e cuja versão final terá de ser entregue até ao final deste ano, diz que a “promoção do consumo de eletricidade e de biocombustíveis no setor dos transportes terá um papel fundamental rumo à descarbonização do setor”, relegando o hidrogénio para segundo plano (menos de 10% do consumo de renováveis no setor dos transportes em 2030). No entanto, o governo já reviu estas metas e no PNEC final dará importância acrescida aos gases renováveis, nomeadamente ao hidrogénio.

“A eletricidade renovável pode dar um extraordinário contributo aos gases renováveis. No caso do hidrogénio, o baixo custo da produção de energia solar significa uma grande oportunidade para a produção de hidrogénio para injeção na rede de gás natural”, disse nesta semana o secretário de Estado da Energia, João Galamba.

O estudo da FCT-Nova sublinha que “o hidrogénio irá ter um papel fundamental na descarbonização do setor dos transportes, principalmente no transporte de mercadorias”, no qual esta fonte de energia “se revela mais custo-eficaz” por causa do abastecimento. De acordo com Campos Rodrigues, as 245 mil toneladas de hidrogénio que Portugal poderá estar a consumir em 2030 são suficientes “para abastecer cem mil veículos”.

Hidrogénio por tipo de transporte

O estudo aponta também para uma renovação gradual da frota de carros que circulam nas estradas portuguesas. Em 2040, 40% dos novos carros no país serão movidos a hidrogénio, 40% terão baterias elétricas e apenas 20% continuarão a ser abastecidos por combustíveis fósseis. Com três milhões de carros em circulação no país, este cenário exige a substituição, a um ritmo anual, de 250 mil carros com motores de combustão interna por uma alternativa mais ecológica.

O estudo refere ainda que o hidrogénio poderá também vir a desempenhar um papel importante na armazenagem de eletricidade intermitente (proveniente das renováveis) já em 2030, sendo mais custo-eficaz do que as baterias de lítio”. Liquefeito, o hidrogénio produzido em Portugal no futuro pode ainda ser transportado em navios e exportado a partir do porto de Sines, por exemplo.

Por isso mesmo, diz José Campos Rodrigues, “faz todo o sentido” a iniciativa H2Scale, que prevê a criação de um consórcio industrial luso-holandês em Sines para a produção de hidrogénio a partir de uma central solar com 1 GW de capacidade instalada. Um investimento de 600 milhões de euros, anunciado pelo secretário de Estado da Energia, João Galamba.

“Vamos estar a exportar o sol português para a Holanda sob a forma de hidrogénio, o que é uma mais-valia para o setor e algo muito importante para quem investir na produção de hidrogénio em Portugal”, rematou o presidente da Associação Portuguesa para a Promoção do Hidrogénio.

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