Money Conference

Horta Osório pede ambição no aumento do PIB de Portugal

A carregar player...

O reputado banqueiro diz que o país não pode estar satisfeito com um crescimento económico de 2% ao ano. E aponta que a banca requer atenção futura

Portugal deve ser ambicioso e crescer mais do que 2% ao ano. Este foi um dos principais recados deixados por António Horta Osório, presidente executivo do Lloyds na sua intervenção na Money Conference. O evento, organizado pelo Dinheiro Vivo e a TSF com o apoio da EY, Iberinform e Sage, teve lugar ontem em Lisboa e reuniu supervisores, banqueiros e líderes de seguradoras para debater o futuro do dinheiro na banca e nos seguros.

Horta Osório salientou que Portugal “progrediu bastante bem desde a grande crise” e que está “na boa direção”. Mas considera que existe complacência e que é preciso haver mais “ambição”. “Não podemos estar satisfeitos com crescimento de 2% ao ano. É pouco”, sublinhou.
O líder do banco britânico explica que as previsões apontam para que, de 2018 a 2020, “iremos crescer à volta de 2%, abaixo de Espanha. Irlanda vai crescer ao dobro”. E adverte que, “sem crescimento não pode haver repartição que aumente qualidade de vida dos portugueses”.
Lembrou ainda a ajuda que o turismo deu à economia portuguesa e salientou que há cinco anos que o país tem as contas externas equilibradas.

Atenção à banca
Por outro lado, o banqueiro deixou um aviso sobre os três fatores com os quais Portugal precisa ter cuidado: o setor bancário, o nível elevado da dívida total do país e a demografia.
Destacou que, no setor bancário, “houve progresso significativo em termos de desalavancagem”, mas ainda há trabalho a fazer, nomeadamente na melhoria na qualidade dos ativos no balanço dos bancos em Portugal.

A dívida elevada do país é outro foco que exige atenção e é necessário reduzir o endividamento do país, não só no domínio público, mas também nas famílias e empresas.
Entre 2007 e setembro de 2017, lembrou, a dívida de Portugal face ao Produto Interno Bruto (PIB) subiu 45 pontos percentuais, enquanto que a média da União Europeia foi de 32 pontos percentuais. “Temos um período importante para reduzirmos o peso da dívida pública mas também da dívida das empresas e das famílias porque estamos muito sujeitos e fragilizados se houver uma subida das taxas de juro.”

Em terceiro, sublinhou a fragilidade demográfica do país, e defendeu que Portugal precisa de adoptar medidas para contrariar o envelhecimento da sociedade portuguesa. Disse que nos próximos 30 anos o rácio de dependentes em Portugal “vai subir brutalmente e vai atingir mais do que um dependente para cada trabalhador”. “É uma situação dramática a prazo” que requer “medidas estratégicas do governo e dos partidos”.

Horta Osório propõe que deve haver uma estratégia para “voltar a atrair os portugueses que saíram do país devido à crise” e que se deve manter a política de atrair imigração – não portugueses – com uma revisão do regime atual dos incentivos, como os vistos gold. E sugere medidas “estruturais e estratégicas” de apoio à natalidade, com benefícios fiscais e com apoios a mães e pais, para que possam ficar em casa com os filhos e manter os seus empregos.

Mais reformas estruturais
Apesar do progresso efetuado, Portugal precisa fazer mais no campo da reformas estruturais, disse Horta Osório. Melhorar a eficiência das despesas sociais e controlar as pensões e salários na função pública estão entre as medidas recomendadas pelo Fundo Monetário Internacional, recordou.

Na banca, é necessário reforçar o capital que permanece baixo dado o peso do crédito malparado e uma regulação mais exigente.

Outras medidas são um mercado de trabalho mais flexível, um sector judicial mais eficiente, redução da dívida das empresas e mais disciplina nos pagamentos do setor público.
Mas o gestor deixou também elogios, nomeadamente em relação ao facto da economia ter tido uma melhor recuperação que a dos outros países da periferia. Além da recuperação do PIB per capita, salientou a queda da taxa de desemprego. “Portugal está abaixo da situação de França. E está mais perto dos EUA do que dos outros países da periferia”, disse. Destacou a atuação do governo de Pedro Passos Coelho, considerando que “soube tomar as medidas que se impunham”, mas também a atuação do governo de António Costa, por ter sabido manter “a direção da trajetória da economia nacional”.

Para o futuro, avisou que Portugal tem de ter cuidado para “não entrar em contraciclo, dada a enorme dependência da economia mundial”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Combustíveis

Encher o depósito para ir de férias fica mais barato: combustíveis descem preços

Combustíveis

Encher o depósito para ir de férias fica mais barato: combustíveis descem preços

Foto: Paulo Spranger

Contadores inteligentes acabam com estimativas na conta da luz

Outros conteúdos GMG
Horta Osório pede ambição no aumento do PIB de Portugal