Turismo

Hoteleiros querem duplicar oferta em Lisboa e no Porto

A Avenida dos Aliados, no Porto, tem mais um hotel de luxo. Fotografia: Pedro Correia/Global Imagens
A Avenida dos Aliados, no Porto, tem mais um hotel de luxo. Fotografia: Pedro Correia/Global Imagens

Portugal está na moda e os grupos hoteleiros querem aproveitar esta onda positiva

Lisboa e Porto não param de captar o interesse dos investidores. Há grupos hoteleiros com projetos para duplicar a oferta de hotéis nas duas principais cidades do país. Lisboa tem uma carteira de 208 empreendimentos turísticos (a larga maioria hotéis) com parecer positivo do Turismo de Portugal (TdP), número que quase duplica a oferta existente em termos de unidades (contabilizam-se 210). De acordo com o sistema de informação do TdP, estes projetos em pipeline irão disponibilizar mais 23237 camas, que se somarão às 44130. Caso todos estes investimentos se concretizem, Lisboa irá contar com 418 empreendimentos turísticos e 67367 camas, excluindo o alojamento local.

No Porto, a carteira de intenções atinge 93 empreendimentos turísticos, quase dobrando a oferta que atualmente é de 96 unidades. Estes projetos totalizam mais 9627 camas, a juntar às atuais 12 473 atuais. A médio prazo, o Porto poderá contar com 189 empreendimentos turísticos e 22 100 camas. Os grupos privados parecem acreditar no destino Porto. Projetos de empresas como a Eurostars, Bessa Hotel, Holiday, Neya ou Yolo têm já pareceres positivos. Alguns, como é o caso do Eurostars Aliados, que será um hotel de cinco estrelas, com 296 quartos, fruto da reabilitação de um edifício, tem data de conclusão agendada para o segundo trimestre de 2020.

Nas mãos das câmaras
Estas intenções de investimento, muitas têm ainda de passar pelo crivo das respetivas autarquias, seguem a onda de crescimento do turismo no país. Os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Banco de Portugal são promissores para o setor. Entre janeiro e agosto deste ano, a Região Norte registou mais de 5,2 milhões de dormidas, um crescimento de 4,8% face ao mesmo período de 2017. O Banco de Portugal fez saber há dias que as exportações de viagens e turismo (turistas em território nacional) atingiram os 10,9 mil milhões de euros nos primeiros oito meses do ano, um aumento de 11% quando comparado com o período homólogo de 2017.

Forte dinâmica

A secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, salvaguarda que “os pareceres favoráveis não significam o licenciamento do projeto”. Nota que “nos últimos 5 anos, têm sido concretizados cerca de um terço dos projetos cujo parecer é solicitado ao TdP”. Contudo, sublinha que, “nos últimos 10 anos, a oferta hoteleira e a procura turística duplicaram em todo o país”, mostrando que há “uma forte dinâmica de investimento”.

José Manuel Esteves, diretor-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), saúda estes investimentos que, na sua opinião, “desenvolvem a economia portuguesa, criam postos de trabalho e riqueza”. Para o dirigente, “todos os hotéis são bem-vindos”, até porque, “nos dias que correm, é irreversível o crescimento do turismo a nível mundial”.

Mário Ferreira, empresário do setor, recorda que o Porto está na moda”, mas que “não se deve ir por anúncios, mas por concretizações”. Em Portugal, “tudo demora muito tempo, já tive projetos que demoraram três anos e outros em que estou há 20 anos”, frisou.

O responsável da AHRESP sublinha que o país “deve estar adequado em termos de infraestruturas, nomeadamente aeroportuárias”, sublinhando a importância da resolução do esgotamento do aeroporto de Lisboa, “e olhar para as ofertas de produto”. Na sua opinião, “há espaço para hotéis de luxo, de três estrelas, rurais ou alojamento local, competindo aos investidores assumirem os seus riscos”.

Confrontado com um possível excesso de oferta, José Manuel Esteves adianta que “a tendência é encontrar novas localizações descentralizadas”, fora das grandes cidades, como já acontece em Lisboa. Em jeito de conclusão afirma: “O turismo está a dar e, como diz a Organização Mundial do Turismo, vai continuar, só é preciso solicitar qualidade na oferta”.

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