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Iberdrola aposta na eólica marinha flutuante com projetos na Noruega e Espanha

O parque Wikinger, no Mar Báltico, é apenas uma dos muitos projetos da Iberdrola na energia eólica marinha. Fotografia: Iberdrola
O parque Wikinger, no Mar Báltico, é apenas uma dos muitos projetos da Iberdrola na energia eólica marinha. Fotografia: Iberdrola

A empresa liderada por Ignacio Galán terá 2.000 MW eólicos marinhos instalados até final de 2022, nas várias geografias em que opera

A Iberdrola anunciou, esta segunda-feira, a aposta na energia eólica marinha flutuante, com um projeto de demonstração, o Flagship, desenvolvido em regime de consórcio, e que pretende “demonstrar a viabilidade e rentabilidade” de uma plataforma eólica marinha flutuante para turbinas maiores que 10 MW. O objetivo é que o protótipo venha a ser instalado, em 2022, no Marine Energy Test Centre (Metcentre), na costa da Noruega.

O Flagship, que envolve empresas espanholas, francesas, alemãs, dinamarquesas e norueguesas, “visa alcançar uma redução no custo da energia (LCOE) na faixa de 40-60 euros/MWh em 2030, impulsionado por economias de escala, cadeias de suprimentos competitivas e uma série de inovações tecnológicas”.

“Este projeto de demonstração, com uma turbina eólica marinha flutuante de mais de 10 MW e uma estrutura flutuante de betão semi-reversível, será projetada para operar em condições do mar do Norte e será o ponto de partida para uma montagem em grande escala de futuros parques eólicos flutuantes de 500 MW”, anuncia a empresa, em comunicado. E acrescenta: “Para além disso, durante o projeto será comprovada a sua viabilidade em outras localizações específicas do Mar Mediterrânio, Báltico, Atlântico e Pacífico, e serão avaliados os custos e a viabilidade da logística da tecnologia de betão frente a uma tecnologia de aço”.

O calendário previsto aponta para o início da montagem da plataforma flutuante ainda no segundo trimestre de 2021, de modo a que possa ser instalada em alto mar no primeiro trimestre de 2022. O projeto está, ainda, dependente da aprovação final do contrato de financiamento, sendo que poderá vir a ser apoiado, em cerca de 25 milhões de euros, pela Agência Executiva de Inovação e Redes (INEA), entidade que gere os programas da Comissão Europeia em matérias de transportes, energia e telecomunicações, e que organizou o concurso para avaliar e financiar tecnologias inovadoras no campo da energia eólica marinha flutuante.

A empresa liderada por Ignacio Galán anunciou, ainda, que está envolvida num outro projeto de demonstração, também relativo à energia eólica marinha flutuante, mas com uma tecnologia diferente e em Espanha. Projeto esse que “fortalecerá a cadeia de fornecedores de energia eólica marinha no País Basco e apoiará a transição energética em regiões como o País Basco (BIMEP) ou as Ilhas Canárias (PLOCAM), ajudando na diversificação do setor industrial de Espanha”, pode ler-se no comunicado.

Além disso, a elétrica espanhola está a analisar a possibilidade de instalar turbinas eólicas flutuantes adicionais no seu atual portefólio de projetos e “participar ativamente no desenvolvimento de projetos eólicos marinhos flutuantes em grande escala”.

“Todas estas iniciativas facilitarão à empresa conhecer diferentes aspetos necessários para o desenvolvimento de projetos eólicos flutuantes e estar preparada para colocar em marcha um projeto comercial de energia eólica marinha flutuante num futuro próximo”, garante.

No comunicado, a Iberdrola lembra que a energia eólica marinha é a “chave para combater as alterações climáticas”, sendo, por isso, um “pilar fundamental” na estratégia da empresa, que a esta área destinou 13.260 milhões de euros de investimento entre 2018 e 2020, o equivalente a 39% do investimento total que fez em renováveis.

O grupo conta já com três parque eólicos marinhos em operação: o West of Duddon Sands, iniciado em 2014 no mar da Irlanda; Wikinger, em funcionamento desde dezembro de 2017 em águas alemãs do mar Báltico e East Anglia ONE, nas águas do Reino Unido, onde foram instalados 82 dos 102 aerogeradores que produzem eletricidade. Com 714 MW de capacidade e um investimento de 2.400 milhões de libras (cerca de 2.680 milhões de euros), este último será capaz de assegurar o consumo elétrico de 630.000 lares britânicos.

Além disso, acaba de anunciar que irá desenvolver um novo complexo eólico em East Anglia, denominado East Anglia Hub, e que incluirá os três projetos que tinha em portefólio nesta zona: East Anglia One North, East Anglia Two e East Anglia Three. “Com 3.100 MW de potência instalada, irá requerer um investimento de cerca de 6.500 milhões de libras e está previsto que a sua construção dure quatro anos, arrancando em 2022”, refere a empresas. Os principais fornecedores serão conhecidos nos próximos 10 meses.

Nos Estados Unidos, a Iberdrola tem já em desenvolvimento os dois maiores parques eólicos marinhos em grande escala no país: Vineyard Wind que, com 800 MW de potência, será capaz de abastecer um milhão de casas; e park City, de 804 MW, cuja construção adjudicou em dezembros. Ambos se situam na costa do Estado de Massachusetts, a sul de Martha’s Vineyard e Nantucket.

Na Alemanha, em abril de 2018, fizeram-se novas instalações no mar Báltico com uma potência total de 486 MW: Baltic Eagle e Wikinger Süd. A estes novos parques somar-se-á, ainda, o de Saint-Brieuc, em França. “Com estes projetos em marcha, a empresa terá 2.000 MW eólicos marinhos instalados até final de 2022, aos quais se somarão outros 1.000 após essa data”, conclui.

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