Energia

Iberdrola quer reforçar nas renováveis em Portugal

A construção é o setor com mais peso na contratação pública. Fotografia: Pedro Granadeiro/Global Imagens
A construção é o setor com mais peso na contratação pública. Fotografia: Pedro Granadeiro/Global Imagens

Com um investimento de 1800 milhões em curso em três barragens no Alto Tâmega, a empresa estuda novos projetos na energia eólica e fotovoltaica.

A Iberdrola está a estudar a construção de novos parques eólicos em Portugal e a entrada no segmento do fotovoltaico. A garantia foi deixada ao Dinheiro Vivo pelo presidente da companhia espanhola, que falava aos jornalistas à margem da cerimónia simbólica de arranque de construção da nova central fotovoltaica de Núñez de Balboa, em Usagre, Badajoz, um investimento de 300 milhões de euros. Com 1430 milhões de painéis solares, que vão ocupar quase mil hectares de terreno, ou seja, o equivalente a 1200 campos de futebol, este será o maior projeto do género em toda a Europa.

Questionado sobre o interesse em apostar no sector fotovoltaico em Portugal, Ignacio Galán sublinhou: “Em Portugal estamos a fazer o maior investimento de sempre no sector hidroelétrico nacional. São 1500 milhões de euros de investimento no Alto Tâmega, um grande projeto de armazenamento, com três barragens que são impressionantes. Além disso, temos várias estruturas eólicas e temos em estudo avançar com mais parques eólicos e fotovoltaicos também em Portugal”. Sobre o potencial de investimento, Galán foi comedido. “Para já, não lhe sei dizer, mas o que estamos a fazer já é muito significativo”.

Recorde-se que, além do sistema eletroprodutor do Tâmega, que estará totalmente concluído em 2022 – um ano antes entram em funcionamento as barragens de Daivões e Gouvães -, e no qual foram já investidos 770 milhões de euros, a Iberdrola conta, em Portugal, com três parques eólicos em Torres Vedras, Mortágua/Tondela e em Ribeira de Pena, que têm, em conjunto, uma potência nominal de 92 megawatts e uma produção anual de aproximadamente 220 gigawatts hora.

Em Espanha, a Iberdrola vai investir oito mil milhões de euros, até 2022, para instalar mais dez mil megawatts de energias renováveis até 2030. Só na Estremadura são dois mil novos megawatts de potência que a empresa pretende instalar, entre solar fotovoltaica e eólica, até 2022, “o dobro da potência da central nuclear de Almaraz”, destacou Ignacio Galán. Três destes projetos estão já em marcha em Cáceres e há mais cinco em estudo na região de Cáceres e de Badajoz. Projetos que colocam a região da Estremadura no centro da aposta renovável da companhia na Europa.

“À medida que os custos têm descido e a tecnologia se tem desenvolvido, torna-se claro que a energia solar vai ser a tecnologia principal na transição energética. A nossa extensa experiência no desenvolvimento das energias renováveis significa que estamos bem posicionados para a integrar no nosso portefólio global. A eletrificação da economia não mostra sinais de abrandamento e os grandes projetos, como Núñez de Balboa, vão ajudar a assegurar que a procura crescente pode ser satisfeita, ao mesmo tempo que se cumprem as metas globais sobre as alterações climáticas”, salienta Ignacio Galán. A central vai permitir evitar a emissão de 215 mil toneladas de CO2 por ano.

O presidente da empresa lembrou, ainda, que as renováveis encerram em si “grandes oportunidades” na criação de emprego. A nova central que vai nascer em Usagre, Badajoz, e que estará em operação plena no próximo verão, irá criar até mil empregos. Número que sobe para 20 mil no total do país até 2030, “quase dez vezes mais do que as que atualmente se dedicam à geração tradicional da empresa”, frisou.

Em Portugal, o Governo de António Costa tem previsto fazer leilões de energia solar em junho.

A jornalista viajou a convite da Iberdrola

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