Energia

Iberdrola quer um milhão de clientes até 2025 e também está na corrida às redes

Foro: D.R.
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Além da Endesa, também a Iberdrola está de olho nos concursos que o governo lançará para a rede de distribuição elétrica em baixa tensão

Quase a chegar a 2020 com meio milhão de clientes em Portugal (no início de 2018 eram apenas 140 mil), a comercializadora de energia Iberdrola já traçou o próximo objetivo para meados da próxima década. Carla Costa, diretora comercial da empresa espanhola para o mercado português, garante que é possível duplicar o número e atingir um milhão de clientes em 2025, de um total de 5,2 milhões de consumidores que já estão no mercado liberalizado.

Criada em Espanha há mais de 100 anos, muito ligada ao Douro – começou mesmo por se chamar Iberduero -, hoje 60% do negócio da Iberdrola já é internacional, estendendo-se por 32 países e 100 milhões de consumidores. É a 5ª maior empresa de eletricidade no mundo em termos de capitalização bolsista e a 2ª na Europa, depois da italiana Enel (dona da Endesa).

De acordo com os mais recentes dados da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), de agosto de 2019, em termos de quota de mercado a EDP continua a dominar em Portugal com maior número de clientes (79%, apesar de estar a perder peso há vários meses), seguida pela Endesa (6,2%) e pela Iberdrola (6%).

“O objetivo é chegar onde se consiga chegar, não há um limite de ser primeiro ou segundo em quota de mercado. Percebemos a posição da EDP porque também somos incumbentes em Espanha e é muito difícil tirar a liderança ao incumbente. Era preciso que fosse uma má empresa. O incumbente em Portugal é uma muito boa empresa. Não nos sentimos nada diminuídos com isso. Fazemos o que temos a fazer, ao nível do preço, da qualidade de serviço e da retenção do cliente”, disse Carla Costa em entrevista ao Dinheiro Vivo, sublinhando ainda : “Temos o objetivo de crescer em carteira e estamos confiantes disso. No início de 2018 disse que queria ter meio milhão de clientes em 2020 e estamos quase lá, com 400 mil clientes de eletricidade e gás neste momento”.

Para chegar a esse objetivo a Iberdrola vai lançar esta terça-feira, 15 de outubro, uma nova campanha que acaba por seguir a mesma linha das anteriores. “Felizmente agora todos nos estão a seguir na energia verde, o que é importante. A Iberdrola já faz isto há três anos, desde que começou em força no mercado liberalizado. Por acaso reparei que as campanhas da concorrência também já falam em energia verde”, disse a diretora comercial, reconhecendo que esta “ainda se vende mais cara por causa das garantias de origem, que em Portugal não existem”.

Neste momento a Iberdrola tem apenas 93MW de geração eólica em Portugal (apesar de 68% do total da produção da empresa a nível global ser de origem renovável), um número que vai crescer exponencialmente com os 149 MW (sete lotes) arrematados pela elétrica nos primeiros leilões de energia solar realizados em Portugal e com os 1200 MW do sistema eletroprodutor do rio Tâmega (com três novas barragens), que vai nascer até 2023 com um investimento de 1500 milhões de euros.

Além disso, estão também de olho nos concursos que o governo lançará entretanto para as concessões da rede de distribuição elétrica em baixa tensão, que estão há 20 anos nas mãos da EDP.

“Temos esse negócio em Espanha mas em Portugal ainda não. Mas as redes vão ser vendidas em breve. Se for um bom negócio, podemos avançar. Mas é um negócio difícil. O incumbente tem vantagem e há muitos candidatos a ficar com as redes. Penso que para bem dos clientes as redes não devem ser divididas por várias mãos em Portugal”, argumenta Carla Costa, garantindo que “com todos estes investimentos, a aposta da Iberdrola não é para ir embora nem para o ano nem para daqui a 10 anos. O mercado português deixou de ser periférico e passou a ser estratégico”.

“Quanto mais crescermos, mais podemos investir. O crescimento da Iberdrola nas renováveis em Portugal não fica por aqui. É muito ambicioso. Temos planos de permanência a longo prazo. Queremos que o compromisso cresça e aumente”, remata.

Depois de todas as promoções e descontos cruzados apresentados pela concorrência na semana passada, a Iberdrola optou por oferecer aos novos clientes uma “espécie de bónus” que é devolvido na fatura em função da fatura média mensal do cliente e calculado em função da potência contratada. Ou seja, em vez de ser um desconto, é um crédito na fatura. “Preferimos desta forma, para o cliente ter a certeza absoluta que o recebe. Se for um desconto em percentagem, basta haver uma diferença no consumo num determinado mês e o cliente já pensa que o estão a enganar. Assim, vê o dinheiro a entrar na fatura”, explicou Carla Costa.

Tal como acontece com as empresas de energia concorrentes, para a Iberdrola também é importante garantir a fidelização e travar a fuga de clientes. “A maior partes dos clientes não vão atrás dos melhores preços, mas mudam por ignorância energética. Seguem os maiores descontos, mas o que interessa são os preços base da energia. Este turismo energético passa muito pelo desconhecimento desses fatores. O mercado está muito agressivo, e cada empresa está a tentar tomar a sua posição. O mercado é competitivo mas isso é bom para os consumidores, porque todas as empresas fazem um esforço para estar abaixo do preço regulado, que por enquanto ainda existe e serve um milhão de clientes. Fazemos um esforço para termos uma oferta melhor que a tarifa regulada. Se não existir, todos pagaríamos mais”, diz ainda a responsável.

Na visão de Carla Costa, não são apenas os pequenos comercializadores que sofrem com o chamado turismo energético. “No mercado residencial, cada cliente que se vai embora da Iberdrola ao fim de três meses dá prejuízo e não lucro, porque pago ao distribuidor, para as redes, 60% daquilo que ele me paga a mim. Este é negócio de números, precisamos de muitos clientes e precisamos que fiquem o maior tempo possível”.

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