Energia

EDP: Iberdrola “teria vantagem” em comprar barragens no Douro

A barragem de Vilar-Tabuaço, Moimenta da Beira. Fotografia: Rui Oliveira / Global Imagens
A barragem de Vilar-Tabuaço, Moimenta da Beira. Fotografia: Rui Oliveira / Global Imagens

Neste momento a EDP está a avaliar diferentes propostas. "Até ao final do ano, princípio de 2020, haverá novidades sobre a venda das barragens".

Gerir e manter barragens no rio Douro, em território português, não tem sido uma tarefa fácil, garantiu esta segunda-feira Berto Martins, diretor de Mercados da área de Trading da EDP, durante a conferência dedicada ao tema “A Hidroeletricidade em Portugal – Desafios”, que assinalou o Dia Nacional da Água.

Em causa estão vários fatores, garante: a começar pela incerteza meteorológica que marca a gestão dos recursos hídricos, passando pela navegabilidade do Douro que limita fortemente a exploração do sistema, sem esquecer a gestão dos caudais do Douro internacional que é feita pela concorrente Iberdrola do lado espanhol, à revelia de quem está do outro lado da fronteira.

De acordo com a apresentação do responsável da EDP, a Iberdrola controla atualmente os grandes armazenamentos no Douro Internacional: Villalcampo e Ricobayo (Esla). Entrega depois água para as centrais da EDP em Miranda do Douro. Volta a ter controlo numa outra grande albufeira (Almendra), com grande capacidade de bombagem de elevados volumes do Douro. E entrega novamente água para as centrais da EDP em Barca de Alva (Pocinho).

“Temos tido algumas dificuldades com as regras de mercado por termos que cumprir um programa no Douro que não pode ser compensado noutras regiões do país. No entanto sempre o fizemos, apesar das dificuldades. Há toda uma ineficiência pelo facto de termos de gerir as quotas dos aproveitamentos num regime mais intermédio. Temos de estar preparados para o cenário de a Iberdrola mandar para Portugal mais água ou menos água”, explicou Berto Martins.

No entanto, o responsável garante: “Mas essas dificuldades não têm nada a ver com a venda destes ativos, nem foram estes os escolhidos por essa razão. A empresa assumiu um compromisso financeiro de rotação de ativos nos valores que são públicos. Era necessário arranjar um portfólio que fosse atrativo para investidores e pudesse ter valorização dentro das metas definidas pela administração. E apenas por esse motivo foram escolhidas as barragens do Douro”.

Neste momento a EDP está a avaliar diferentes propostas. “Até ao final do ano, princípio de 2020, haverá novidades sobre a venda das barragens”, garantiu o responsável.

Berto Martins confirmou ao Dinheiro Vivo que “neste momento, nesta fase da negociação, a EDP tem um conjunto de cinco potenciais compradores, onde está também incluída a Iberdrola, mas onde se encontram empresas que não são da Península Ibérica. Tivemos reuniões com a Engie, com a austríaca Verbund, com a norueguesa Statkraft e com um fundo. Há vários interessados no portfólio. Há valor nestes ativos. Para quem comprar haverá as mesmas dificuldades que nós tivemos, mas é ultrapassável”.

E se fosse a espanhola Iberdrola a ficar com as barragens que a EDP tem no Douro, seria mais vantajoso? O diretor da EDP diz que “não é obrigatório. Isso é um problema que a Autoridade da Concorrência poderá resolver. Para a Iberdrola teria vantagem, claro. Sabendo de antemão que quantidade de água vai lançar nas centrais a montante, consegue prever o que vai fazer nas barragens seguintes. Nós e os que se seguirem a nós na gestão destas barragens temos sempre de adivinhar o que a Iberdrola vai fazer. Não conseguimos ter informação prévia. Temos de fazer gestão com base na incerteza. O processo está em curso. A EDP está a avaliar diferentes propostas. Até ao final do ano, princípio de 20, haverá novidades sobre a venda das barragens”.

No dia em que a APREN assinalou o Dia da Água, o presidente da associação que representa as renováveis garantiu que “no futuro teremos três grandes fontes de energia renovável: hídrica, solar e eólica”.

“A hídrica é a única que é despachável, por isso vou usá-la para colmatar as diferenças em que num determinado momento houver menos recurso eólico ou solar e precisarmos de um recurso renovável instantâneo. É a único que é armazenável e despachável. É a vantagem da hídrica, é como uma bateria”, disse Pedro Amaral Jorge, antevendo que provavelmente será necessário aumentar a área dos reservatórios das barragens.

Em 2030, a energia hídrica terá menos geração e estará em terceiro lugar no pódio das renováveis, depois da energia solar e da eólica. “Mas daqui até lá teremos armazenamento, redes bidirecionais, inteligência artificial ao serviço da ligação entre o consumo e a procura”, garantiu o presidente da APREN.

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