IEFP quer por 30 mil jovens 'nem-nem' a trabalhar ou a estudar

Portugal tem quase 176 mil jovens que não trabalham, estudam ou estão em formação, os chamados NEET ou 'nem-nem'.

Há um universo de 175.900 portugueses com menos de 30 anos que não estudam, trabalham ou frequentam ações de formação profissional e o governo, através do Instituto do Emprego e da Formação Profissional desenhou uma Estratégia Nacionalização de Sinalização destes jovens que integra um conjunto de medidas que vão ser aplicadas por duas fases, entre 2017 e 2020.

Entre as soluções para a primeira fase inclui-se a criação de uma rede de parceiros que visam reencaminhar para o sistema educativo, para um trabalho ou ação de formação profissional pelo menos 30 mil jovens com aquele perfil e que habitualmente são designados por NEET (na sigla em inglês) ou 'nem-nem'.

Este universo de 30 mil será identificado entre os perto de 67.500 que não estudam, trabalham ou frequentam ação de formação profissional e que, por regra, também não procuram nenhuma destas respostas, nem sequer estão inscritos nos centros de emprego - o que faz com que não sejam conhecidos das estruturas de emprego públicas. Na sinalização destas pessoas, o IEFP, através do programa Garantia Jovem, vai contar com a colaboração de autarquias, instituições particulares de solidariedade social e associações de juventude.

A Estratégia Nacional para a Sinalização de Jovens Inativos e Desempregados Não Registados foi apresentada esta terça-feira, estando previsto que se desenvolva em duas fases: a primeira vai focar-se no reforço dos serviços de apoio e da gama de serviços e de programas disponíveis (e ocorrerá entre 2017 e 2018), enquanto a segunda, para o período de 2019 a 2020, será mais centrada no aumento do apoio individualizado.

Os dados oficiais existentes revelam que a maior parte dos 'nem-nem' (59%) são desempregados de longa duração (estão sem trabalho há mais de 12 meses) e que 64,7% estão desmotivados. O risco de passar de uma situação de emprego para o desemprego é mais acentuado entre os que têm entre 25 e 29 anos do que os que estão na faixa etária dos 15 aos 24 anos.

A percentagem mais elevada de NEET está na região Porto (que concentra 40,9% destes casos), seguindo-se Lisboa (23,6%) e o Centro (com 22,8%). No Algarve e Alentejo, a percentagem é inferior a 10%.

Durante a cerimónia de apresentação da Estratégia, o secretário de Estado do Emprego sublinhou que apesar de o mercado de emprego ter voltado a crescer e de o desemprego entre os que têm menos de 24 anos ter recuado, não se pode esperar que seja o mercado a resolver a situação destes jovens.

"Não podemos ser levados pela ilusão de que a melhoria dos indicadores económicos vai resolver todos os problemas", referiu Miguel Cabrita. "Sabemos que o emprego entre os mais jovens aumentou 8,4% em termos homólogos no primeiro trimestre deste ano e que também houve uma redução dos jovens Neet", precisou ainda o secretário de Estado para rematar que esta evolução "não impede que temos de ter garantias de que estamos a trabalhar para resolver estes problemas" e que "não podemos esperar que seja o mercado a resolve-los por si só".

A criação de emprego que se tem registado nestes últimos trimestres não colocou ainda o emprego ao nível registado em 2008, antes da crise. Por comparação com essa data, há ainda hoje uma diferença de menos 450 mil empregos.

Apesar de a atual geração de jovens ser a mais qualificada de sempre em Portugal, também é certo que nem todos os jovens concluíram o ensino secundário e este é um dos perfis que pode ser observado entre os 'nem-nem', o que aumenta a importância das ações que visam reintegra-los no sistema educativo ou de formação profissional.

 

 

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de