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Imobiliário. “Há investidores a ir embora todos os dias por causa da burocracia”

Fotografia: Regis Duvignau / Reuters
Fotografia: Regis Duvignau / Reuters

Nova geração de líderes do setor deixa fortes críticas aos poderes públicos, que estão a "atrasar o mercado".

Juntaram-se para falar do futuro, mas foram os problemas do presente que mereceram a atenção da “nova geração de líderes” do setor imobiliário. Pois se estes não forem resolvidos rapidamente, alertam, não é só o futuro do setor que fica comprometido. Toda a economia vai sofrer as consequências.

O poder político foi o grande visado das críticas, numa conferência do Diário Imobiliário que juntou dez líderes do setor esta quinta-feira no empreendimento SkyCity, na Amadora. Para os responsáveis, apesar do bom momento que se vive no imobiliário, o país e o setor avançam neste momento a duas velocidades diferentes.

“Nem tudo é cor-de-rosa no setor. Um dos grandes desafios de lidar com investidores internacionais altamente sofisticados é termos de dar respostas imediatas. E o país que temos não é esse. Um processo de licenciamento pode durar dois anos e nove meses. Como é que explicamos isso?” questionou Hugo Santos Ferreira, vice-presidente executivo da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII).

Segundo o responsável, há “investidores a ir embora todos os dias” devido à burocracia. “Corremos o risco de ter uma geração a tentar levar o país para um rumo melhor, mas de o país não a saber acompanhar”.

A opinião foi partilhada por João Sousa, CEO do JPS Group. “O imobiliário tem trazido muito à economia, muito emprego. Mas a máquina burocrática é extremamente pesada e pode triturar rapidamente o setor. Quem investe não pode ficar dois ou três anos à espera que alguém se levante para fazer um despacho”.

Na visão de João Sousa, têm de ser os operadores do mercado, mas também os consumidores, a fazer pressão “para que as coisas mudem”.

“Temos de criar um país mais simples. Dar mais capacidade às autarquias para fiscalizar o que é construído. Não esperar anos por um licenciamento, que quando chega já está desatualizado. Nós trazemos muito dinheiro para o país e temos de bater na mesa para continuarmos com este ciclo”, apelou.

Além da burocracia, os líderes do setor manifestaram ainda preocupações face à realidade da habitação “para as famílias”, que não podem pagar os valores praticados hoje no mercado. Também aí, sublinham, o poder político tem de assumir responsabilidades.

“Temos uma oportunidade fantástica e um mercado com uma atratividade muito superior à que alguma vez teve. O grande problema que temos de resolver é o acesso à habitação pelos portugueses. E não é só em Lisboa. Temos de criar soluções ajustadas ao poder de compra dos portugueses, porque os preços hoje são semelhantes aos de Espanha, mas os rendimentos não”, destacou Ricardo Sousa, CEO da Century 21.

Um dos entraves que os responsáveis identificam são os elevados custos da construção nova.

“Quase nenhum pais da Europa tem o IVA da construção a 23%. O país precisa de habitação mas ninguém faz nada para que isso aconteça. O setor quer dar o salto, mas temo que os poderes públicos não consigam acompanhar a evolução. Ou as coisas mudam ou não vai haver habitação para a classe média”, sentenciou Hugo Santos Ferreira.

Também presente esteve José Meneses Castro, partner da MAP Engenharia, que lembrou que “o tijolo para a construção de luxo custa o mesmo que o tijolo da construção a custos controlados”, avisando que “o poder político tem de ver isto”.

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