Importar combustíveis custa 5 mil milhões por semana aos consumidores europeus

A Aliança para a Eletrificação, da qual a EDP e EDP Renováveis fazem parte, assina em Bruxelas um novo Manifesto com medidas para a descarbonização.

Todas as semanas, a importação de combustíveis fósseis custa aos consumidores europeus – portugueses incluídos - mais de cinco mil milhões de euros. Uma fatura que é, de acordo com a associação de empresas elétricas Eurelectric e dos seus parceiros da Aliança para a Eletrificação, demasiado alta e que não pode continuar a ser suportada se Bruxelas quiser chegar à neutralidade em 2050.

"A eletrificação pode não só reduzir drasticamente a fatura da UE com a importação de combustíveis fósseis como também reduzir o consumo de energia até oito vezes. Substituir os combustíveis fósseis por eletricidade de origem renovável e livre de emissões contribuirá para melhorar a segurança energética da União Europeia e será traduzido em poupanças reais para os consumidores”, refere a Eurelectric, que esta quarta-feira foi a anfitriã em Bruxelas do evento “Powering the Green Deal”, no qual 100 organizações de vários setores industriais e da sociedade civil assinaram um novo Manifesto da Aliança para a Eletrificação, que também integra a EDP e a EDP Renováveis, as duas únicas portuguesas signatárias do documento.

Na opinião de Magnus Hall, president da Eurelectric e CEO da Vattenfall, uma elétrica sueca, a "eletrificação é a solução mais importante para tornar realidade a visão de uma Europa livre de combustíveis fósseis. Queremos lá chegar mas estamos conscientes dos diferentes pontos de partida dos vários Estados-membros e assegurar que há financiamento suficiente para uma transição justa para todos".

Para isso, é necessário, antes de mais, aliviar os pesados impostos que recaem sobre o consumo de energia, criar uma taxa do carbono que penalize as emissões e realizar investimentos gigantes e urgentes em expansão das redes outras e infraestruturas, redes mais inteligentes e digitais e geração de eletricidade a partir de fontes renováveis.

Pelas contas da Eurelectric, só o setor elétrico enfrenta um desafio de investir 100 mil milhões de euros por ano (ou mais) para descarbonizar a sua atividade. No entanto, nos últimos anos, o Banco Europeu de Investimento apenas dedicou cerca de 13 mil milhões de euros por ano a projetos de descarbonização do setor elétrico.

É por isso que o Manifesto hoje assinado faz um apelo muito concreto: para que o próximo orçamento comunitário garanta financiamento suficiente para os Estados-membros lidarem com a descarbonização. Estima a Aliança para a Eletrificação que para isso “será necessário aumentar o orçamento do programa Horizonte Europa para 120 mil milhões de euros”.

“A eletricidade é o elemento chave para responder à questão: como é que descarbonizamos a nossa sociedade? Precisamos de duas a quatro vezes mais eletricidade do que temos hoje para sermos ambientalmente mais eficientes”, disse Juan Jose Alba Rios, responsável do comité da Eurelectric para os Mercados e Investimentos, sublinhando que em 2045 as fontes renováveis já deverão ser responsáveis por 80% da geração de eletricidade, enquanto os combustíveis fósseis vão entrar em declínio.

Com 10 medidas concretas para que os governos dos diferentes países europeus tomem medidas e ações para concretizar o mais rapidamente o Green Deal europeu proposto pela nova presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o Manifesto tem como objetivo aproveitar o “momento em que começa um novo ciclo institucional em Bruxelas como uma oportunidade única para que sejam tomadas ações políticas decisivas para atingir a meta da neutralidade carbónica em meados do próximo século”.

“Estamos num momento-chave. A Estratégia de Longo Prazo para a Descarbonização da Comissão Europeia – A Clean Planet for All – sublinhou que as renováveis e a eletricidade descarbonizada deveriam aumentar significativamente, substituindo os combustíveis fósseis no mix energético europeu e em todos os setores da economia, como pré-condição para chegar aos objetivos do Clima e Energia”, destaca ainda a Eurelectric, citando estudos recentes que mostram que a eletricidade de origem renovável, sem emissões de carbono, é crucial para uma estratégia climática custo-eficaz de longo prazo.

Estes mesmos estudos – da Eurelectric e da WindEurope – apontam para a possibilidade de chegar a uma eletrificação da economia entre 60 e 62% em 2050.

A primeira medida do Manifesto apela à eletrificação do setor dos transportes, o que mais contribui para as emissões poluentes. Dizem os números da Aliança para a Eletrificação que as baterias dos carros elétricos têm uma eficácia de conversão de 80 a 90%, enquanto os motores de combustão interna não ultrapassam os 20 a 30% de conversão da energia entre o depósito e as rodas. “Isto permite que os veículos elétricos percorram três a quatro vezes a mesma distância com a mesma energia”, refere o documento.

Faltam, no entanto, mais veículos elétricos nas estradas europeias (deverão ser 40 milhões em 2050) e uma maior rede de carregadores rápidos e ultra-rápidos para os abastecer, refere o documento da Aliança para a Descarbonização.

Segue-se, segundo o Manifesto, a necessidade de uma “estratégia robusta para o setor industrial”, também um dos mais poluentes na Europa. E, no setor elétrico, ações claras para digitalizar as cadeias de valor energéticas e investimento em redes e infraestruturas, que têm de ser cada vez mais inteligentes e autónomas na distribuição da eletricidade pela rede, consoante as novas necessidades de procura e oferta dos consumidores. Já os edifícios também têm de se tornar mais eficientes, com a implementação da diretiva europeia que pede a descarbonização de todos os edifícios na Europa até 2050.

A cidade de Bruxelas será esta quarta-feira o epicentro deste debate sobre as alterações climáticas, a transição energética, e descarbonização e a eletrificação da energia, com a Eurelectric - a associação europeia das grandes empresas elétricas, entre as quais a portuguesa EDP - e os seus aliados da Aliança para a Eletrificação a organizarem o evento "Powering the Green Deal".

Na histórica Biblioteca Solvay, muito perto do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia, na capital belga, o dia ficará marcado pela assinatura do novo Manifesto. O evento contará com a presença de Ditte Juul-Jørgensen, responsável da Direção Geral de Energia da Comissão Europeia.

A EDP e a EDP Renováveis serão as únicas empresas portuguesas signatárias do documento. Outras signatárias incluem empresas como a Iberdrola, Enel, Schneider Electric, Siemens Gamesa, Vattenfall, Verbund, Acciona, entre muitas outras.

Da Aliança para a Eletrificação, criada em junho de 2017, faz parte a Eurelectric, a European Association for Electromobility (AVERE), European Association of Electrical Contractors (AIE), European Climate Foundation (ECF), European Copper Institute, Eurelectric, European Heat Pump Association (EHPA), Smart Energy Europe (smartEn), SolarPower Europe e WindEurope.

A jornalista viajou para Bruxelas a convite da Eurelectric

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