Inclinado para subir? "A resposta é não". BCE pode até cortar juros de depósitos

Mario Draghi admite que os riscos na Zona Euro se têm prolongado e diz que todas as ferramentas estão na mesa, sem receio da inflação.

O conselho de governadores do Banco Central Europeu admite voltar a cortar juros com o espetro das tensões geopolíticas entre EUA e China a arrastar as expetativas de mercado e a pesar no crescimento da Zona Euro. Os países do euro deverão crescer 1,2%, prevê o banco central, com um outlook melhorado face às projeções de março, mas os riscos ao cenário são prolongados, admite Mario Draghi, o presidente do BCE.

“Se tivermos de encontrar novos desafios o conselho de governadores está preparado para agir com todas as suas ferramentas”, afirmou Draghi, indicando que o órgão abordou esta quinta-feira a possibilidade de serem realizados cortes na taxa de juros para depósitos, atualmente em -0,40%. O BCE manteve hoje taxas inalteradas, avançando a possibilidade de estas se manterem assim até meados de 2020.

As perspetivas económicas do BCE para a Zona Euro em 2019 foram agora revistas em alta ligeira para 1,2% (mais 0,1 p. p.), mas deterioram-se no horizonte mais longo. Para 2020 e 2021, o banco antecipa agora crescimento de 1,4%, revisto em baixa para os dois anos (menos 0,2 p. p. e menos 0,1 p. p., respetivamente).

Em conferência de imprensa, Mario Draghi admitiu porém que os riscos deste cenário se têm prolongado, com a mensagem que chega dos mercados a exigir cautela. “Os mercados parecem ver algo maior do que simples disputas comerciais”, disse, assegurando que o BCE equaciona neste momento cenários de disrupção mais profunda.“Espero que não. Mas, da nossa parte, temos que levar esta leitura a sério e estar preparados”, indicou.

O presidente do BCE defendeu, no entanto, que a Zona Euro se encontra hoje em condições muito diferentes daquelas que a última crise encontrou. Nomeadamente, com o atual dinamismo do mercado de trabalho. "Num período de cinco anos, mais de 10 milhões de empregos foram criados”, disse.“Não creio que alguma vez tenham sido criados tantos empregos em tão curto espaço de tempo nesta zona do mundo”, acrescentou.

O outlook de inflação do BCE encontra-se agora em mínimos, bastante abaixo da meta de referência da política monetária. A instituição espera inflação de 1,3% em 2019 (mais 0,1 p. p. que nas previsões de março) e 1,4% em 2020 (com uma revisão em baixa de 0,1 p. p.). Em 2021, a inflação esperada é de 1,6%. O BCE admite preocupação, mas afirma que as previsões se mantêm em linha com as orientações. "Claro que estamos preocupados. Mas não vemos sinais de desancoragem. E também não vemos qualquer probabilidade de deflação”, disse Draghi.

 

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de