Índia confinada põe maior grupo de calçado em lay-off

Sem gáspeas para montar os sapatos, a Kyaia colocou mais de meia centena de funcionários em casa. Aguarda pela chegada de 3 mil gáspeas

A Kyaia tem mais de meia centena de trabalhadores da área de montagem da unidade de Guimarães em lay-off, desde a passada semana, por falta de matéria-prima para trabalhar. É que 75% das gáspeas – a parte superior do calçado – usadas pela fábrica de Guimarães vêm da Índia, país que está há dois meses em confinamento por causa da covid-19. Uma “dependência” que Fortunato Frederico, dono da empresa, promete “corrigir” uma vez ultrapassada a pandemia. “Serve-nos de exemplo”, sustenta.

Com cerca de 400 trabalhadores na área industrial – a que se juntam outros 200 nas outras atividades do grupo, designadamente no retalho e turismo -, a Kyaia é o maior produtor nacional de calçado, com fábricas em Guimarães, a sua sede, e em Paredes de Coura. Esta última unidade nunca parou, já que faz a produção completa, incluindo corte e costura, mas a de Guimarães, admite o empresário, está muito dependente da Índia e teve de parar. “É difícil arranjar pessoal aqui, tivemos que ir para a Índia. Ainda tentámos montar um projeto industrial em Cabo Verde, na sequência de uma visita que fizemos ao país, há muitos anos, com o Presidente Sampaio. Na altura, a ideia era juntar vários grupos, atendendo a que a Aco já lá estava, e assegurar massa crítica ao projeto, mas a coisa encravou e não andou, e depois todos arranjaram uma solução.

Uns foram para a Índia, outros para Marrocos, nós preferimos a Índia porque é uma cultura anglo-saxónica, entendemo-nos melhor”, explica Fortunato Frederico.

Mas a pandemia da covid-19, que na Índia já infetou mais de 90 mil pessoas, levou as autoridades indianas a decretarem o confinamento obrigatório a partir de 25 de março. No início de maio, as atividades industriais começaram a ser retomadas, mas o país labora, ainda, a 50%.

“Estamos à espera de três mil pares de gáspeas, se chegarem na próxima semana, poderemos arrancar novamente com a produção na última semana de maio”, diz o responsável da Kyaia, que detém marcas como a Fly London, Softinos e AsPortuguesas.

Ultrapassada que seja a pandemia, Fortunato Frederico admite “corrigir essa dependência”, subcontratando a produção do corte e costura no mercado nacional. “Não vamos fazê-lo a 100%, senão passaríamos a estar dependentes do mercado interno, mas temos de corrigir isto, mantendo alguma coisa a vir da Índia”, frisa. Em causa está uma produção diária da ordem dos 750 a 800 pares, 75% dos quais vêm deste país asiático.

Os restantes funcionários de Guimarães – são 150 no total, neste pólo industrial – designadamente nos armazéns, na logística e nos escritórios, continuam a laborar. “Houve muitas encomendas anuladas e temos mais de 40 mil pares dentro de portas à espera que os clientes os queiram receber, mas que continuam com as lojas fechadas. Mais alguns que podiam receber, porque estão a operar, mas que ficaáos sem seguro de crédito, lamenta Fortunato Frederico, sublinhando: “Não é fácil dormir nos dias de hoje, não”.

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