Indústria Papeleira

Indústria alerta para impacto da subida do preço do papel e energia

gráfica

O encerramento de fábricas e outras mudanças no mercado podem estar na base na escassez do papel.

A APIGRAF – Associação Portuguesa das Indústrias Gráficas e do Papel está preocupada com os preços da energia e das matérias-primas, alertando que estes deverão levar a uma subida dos preços praticados, avançou o presidente da entidade à Lusa.

“Temos que refletir [o aumento do preço do papel] no que produzirmos”, salientou Lopes de Castro. Por isso, a APIGRAF prevê mesmo um aumento da faturação este ano, face aos cerca de dois mil milhões de euros de volume de negócios das empresas do setor no ano passado, com a subida inevitável de preços.

O dirigente associativo salientou que houve alterações na indústria do papel que levaram a uma maior escassez nesta matéria, incluindo encerramento de fábricas e outras mudanças no mercado.

Além disso, referiu o presidente da APIGRAF, os custos da energia são também um problema para as empresas. “Estamos a sofrer com um aumento brutal de energia, a indústria gráfica consome muito e o nosso Governo não fez nada. Os espanhóis agiram imediatamente, reduziram o imposto, mas nós continuamos a não fazer nada. É um aumento brutal e precisávamos que o executivo atuasse do lado dos impostos, porque só aí é que é possível descer o preço”, salientou Lopes de Castro.

O setor reúne-se em Viseu na sexta-feira, 12 e no sábado, 13 de outubro, para debater os desafios em torno da atividade.

“A APIGRAF faz todos os anos este encontro de sócios. Pretende-se prestar contas, fazer uma avaliação de como é que está a indústria face ao país. Teremos ações de motivação para os associados, partilha de contactos e convívio. Contamos que estejam à volta de 100 empresas”, referiu Lopes de Castro.

Numa altura em que a indústria gráfica corre riscos acrescidos, devido ao aumento da digitalização e redução do uso do papel, Lopes de Castro salientou que é essencial apostar em tecnologia e recursos humanos nas empresas.

“Vamos debater novas tecnologias, a digitalização da indústria, a indústria 4.0, a forma como uma indústria gráfica se deve preparar para a digitalização, a cultura digital, que é fundamental para isto, e maneiras de captar pessoas, neste caso jovens”, para o setor, avançou o dirigente associativo.

Para Lopes de Castro, “o principal desafio é uma adaptação às novas tecnologias e formação. Sem recursos humanos capazes não é possível” gerir estas mudanças tecnológicas, salientou. Além disso, as sociedades ligadas a este setor devem perceber “que investimento é que têm que fazer” neste sentido.

“As empresas têm que estar atentas e perceber a evolução, porque está a ser muito rápida e todos temos que saber quando passamos do convencional para o digital ou quanto tempo é que irão conviver”, referiu o presidente da APIGRAF.

O setor das gráficas e indústria do papel conta com 2.600 empresas, garantiu Lopes de Castro, responsáveis por 360 milhões de euros de exportações diretas em 2017. Mas o presidente detalhou ainda que em vendas indiretas para o exterior, por exemplo, com produtos gráficos que acompanham outros bens, as exportações atingem um valor semelhante. Estas sociedades empregam 22 mil pessoas.

O setor trabalha, sobretudo, para mercados europeus e tem alguns negócios no norte de África.

Lopes de Castro espera que, com a maior abertura entre Angola e Portugal, a indústria consiga também recuperar este mercado, onde já teve uma presença mais forte.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Ministro das Finanças, Mário Centeno, na apresentação do Orçamento do Estado para 2019. 16 de outubro de 2018. REUTERS/Rafael Marchante

Bruxelas envia carta a Centeno a pedir o triplo do esforço orçamental

lisboa-pixabay-335208_960_720-754456de1d29a84aecbd094317d7633af4e579d5

Estrangeiros compraram mais de mil imóveis por mais de meio milhão de euros

João Galamba (secretário de estado da energia) , João Pedro Matos Fernandes (Ministro para transição energética) e António Mexia  (EDP) durante a cerimonia de assinatura de financiamento por parte do Banco Europeu de Investimento (BEI) da Windfloat Atlantic. Um projecto de aproveitamento do movimento eólico no mar ao largo de Viana do Castelo.
(Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Mexia diz que EDP volta a pagar a CESE se governo “cumprir a sua palavra”

Outros conteúdos GMG
Indústria alerta para impacto da subida do preço do papel e energia