Indústria 4.0

Indústria 4.0. Governo cria comité estratégico para estar “na linha da frente”

Primeiro-ministro, António Costa. Foto: Paulo Novais / Lusa
Primeiro-ministro, António Costa. Foto: Paulo Novais / Lusa

São 64 empresas da agro-indústria; automóvel e moldes; retalho e moda; turismo - que vão ajudar a definir a estratégia nacional para a indústria

O Governo quer posicionar o país na “linha da frente” da quarta revolução industrial e quer que as empresas ajudem a definir as prioridades em matéria de digitalização da economia. Criou o Comité Estratégico da Iniciativa Indústria 4.0, para o qual convidou 64 empresas, entre as quais a Cerealis, a Delta Cafés, a Sogrape, a PSA e a Autoeuropa, e que tem três meses para apresentar medidas concretas. João Vasconcelos, secretário de Estado da Indústria, acredita que Portugal tem todas as condições “para estar entre os líderes desta revolução”.

A primeira reunião do comité estratégico ocorreu esta quinta-feira em Ilhavo e marcou o arranque do processo. Na cerimónia oficial de apresentação da Iniciativa Indústria 4.0, João Vasconcelos explicou que foram criados quatro grupos de trabalho verticais – agro-indústria; automóvel e moldes; retalho e moda; turismo -, escolhidos porque as empresas que neles operam “representam 25% do PIB nacional e mais de 30% do emprego, mas as suas exportações ascendem a mais de 50% de tudo o que o país exporta”.

Frulact, Nestlé, Sogrape, Unicer, Delphi, PSA, Simoldes, Autoeuropa, Dielmar, Farfetch, Kyaia, Lameirinho, Sonae, Vista Alegre Atlantis, Grupo Pestana, TAP, Vila Galé ou Unicre são algumas das empresas convidadas a trabalhar em parceria com a Cotec, o Turismo de Portugal, o IAPMEI e a CIP, entre outras entidades.

O país, diz o secretário de Estado, João Vasconcelos, precisa de “capacitar as empresas exportadoras para que consigam competir com as melhores”. A digitalização é um “fator crítico de sucesso” e as empresas que “não estiverem dispostas ou aptas a usar as novas tecnologias para se tornarem mais flexíveis e exigentes, não vão conseguir operar no mercado global e, no médio prazo, irão desaparecer”.

O secretário de Estado serviu-se do Turismo como um “bom exemplo” de um sector onde a quarta revolução industrial está já em marcha, destacando que o comércio eletrónico veio revolucionar modelos de negócio, “conferindo muito mais poder de customização e de escolha aos clientes, através de soluções como o Booking.com ou o Airbnb”.

Mas nem só no Turismo estão os bons exemplos. “Na indústria, vemos cada vez mais máquinas e produtos por elas produzidos a serem equipados com sensores e a estarem ligados à internet. Podemos falar de empresas como a Autoeuropa, que já usa impressoras 3D na sua linha de produção ou da PSA que está a trabalhar com tecnologias de realidade aumentada e de robótica inteligente nos seus veículos autónomos sem condutor que já começou a testar em estrada”, diz João Vasconcelos. Que destacou, ainda, a Introsys, “que está a robotizar duas das maiores fábricas do México com os seus sistemas de controlo para o sector automóvel”, ou o fabricante de calçado Luís Onofre, “que depois de ter conseguido fabricam bem, desenhar bem e de ter aberto a sua loja física, decidiu abrir uma loja on-line que foi um sucesso de vendas logos nos primeiros dias”.

João Vasconcelos lembra que a mudança a que estamos a assistir é ditada pela “evolução a um ritmo alucinante” da tecnologia, mas também por “consumidores mais informados e poderosos, que exigem maior costumização, celeridade e transparência”.

Aumentar a produtividade dos processos de produção é indispensável, defende o secretário de Estado, que considera “fundamental” que se invista em tecnologia, mas também em recursos que a saibam operar. “A Europa tem de liderar a internet da indústria e não pode ficar para trás, como fez com a internet do consumo”, defende.

Já o primeiro-ministro considera que Portugal não pode continuar agarrado a “discussões do passado”, mas de olhar para o futuro, no qual o talento, a capacidade de iniciativa e a capacidade de atrair e fixar talentos, são fatores decisivos. “O nosso futuro não está numa diferença de 30 euros no salário mínimo nacional”, garantiu António Costa.

Inovação, qualificação dos recursos humanos e capitalização das empresas são, diz o governante, os pilares críticos para que Portugal tenha sucesso neste nova revolução industrial. Três dos seis pilares do Programa Nacional de Reformas, que o Governo aprovou esta quinta-feira em Conselho de Ministros, lembrou António Costa.

“É em torno de Programa Nacional de Reformas que podemos responder aquilo que são os grandes desafios do país e podemos virar a página deste período difícil que o país viveu e do qual temos que seguir em frente”, disse, sublinhando que só há uma forma de o fazer: “Só com uma economia mais produtiva, com maior coesão social, menores níveis de pobreza e com menos desemprego, é que conseguimos finanças públicas mais sólidas”.

Questionado pelos jornalistas sobre um eventual aumento de impostos, António Costa garantiu que tal não se verificará. E que os dados da execução orçamental “demonstram que não são necessárias, nem vão ser adotadas, medidas adicionais”. “O défice não se reduz por aumento de impostos, se fosse assim, tudo se tinha resolvido ao longo destes últimos quatro anos de enorme sangria fiscal. O défice reduz-se com a economia a crescer e com uma gestão rigorosa do orçamento”. O roteiro do Governo nesta matéria está, diz, no programa de estabilidade apresentado pelo ministro das Finanças.

Já o ministro da Economia, Caldeira Cabral, lembrou que Portugal “tem a oportunidade de chegar a esta nova revolução industrial na primeira linha”, já que dispõe de boas capacidades a nível do software e de empresas que já provaram mundialmente as suas capacidades. “Estou certo que o país saberá adaptar-se também a esta nova realidade e que os empresários saberão desempenhar o seu papel. Ao Governo cabe mobilizar os empresários e as instituições publicas para este processo de mudança que não começa nem acaba aqui hoje, mas que tem aqui um passo muito importante”, frisou.

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