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INE. Desemprego em sentido lato é o dobro do oficial

Economia deverá ser uma das áreas afetadas pelas mudanças. Fotografia: Estela Silva/LUSA
Economia deverá ser uma das áreas afetadas pelas mudanças. Fotografia: Estela Silva/LUSA

Contingente de desempregados e subutilizados é de 903,3 mil pessoas. Taxa de subutilização do trabalho está em 16,6%. São mais 441,9 mil casos.

Pela primeira vez, o Instituto Nacional de Estatística (INE) faz as contas ao que pode ser o nível de desemprego em sentido lato da economia, somando aos desempregados outras formas de “subutilização do trabalho”. Essa taxa de desemprego em sentido lato, mais alargada, tem vindo a descer, mas ainda assim era de 16,6% no segundo trimestre, praticamente o dobro da taxa de desemprego oficial (8,8%).

“A subutilização do trabalho é um indicador que agrega a população desempregada, o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego mas não disponíveis e os inativos disponíveis mas que não procuram emprego”, explica o INE no novo inquérito ao emprego relativo ao segundo trimestre.

Ou seja, oficialmente há 461,4 mil pessoas sem trabalho, mas contando com aquelas três franjas da população que estão nas margens do mercado laboral, o contingente de desempregados e subutilizados aumenta para 903,3 mil pessoas, o que faz com que a taxa de subutilização do trabalho atinja 16,6% da população ativa alargada. São mais 441,9 mil casos.

Quem são, quantos são

Numa situação de subemprego a tempo parcial (pessoas que trabalham menos horas do que o part time normal, mas que estavam dispostas a abraçar mais horas por semana) havia 210,1 mil pessoas, os os inativos à procura de emprego mas não disponíveis eram 27,2 mil e os inativos disponíveis mas que não procuraram emprego eram 204,6 mil.

O INE pede algum cuidado no uso destes indicadores pois geram “uma medida que sobrestima a subutilização do trabalho”, mas em todo o caso esta é útil para perceber o grau de esclerose laboral da economia e do baixo potencial que a continua a afetar, sobretudo devido à pobreza do investimento dos últimos anos.

“O objetivo da construção e divulgação regular deste indicador, a partir dos três indicadores suplementares do desemprego já disponibilizados pelo INE, é fornecer aos utilizadores uma medida mais abrangente da subutilização do trabalho do que a medida, mais restrita, correspondente à taxa de desemprego, sem alterar o modo de cálculo desta nem o seu estatuto de estatística oficial”, diz o INE.

Embora a subutilização do trabalho seja relativamente elevada, o instituto ressalva que ela está a recuar. “Comparando com o trimestre anterior, a subutilização do trabalho diminuiu 8,4% (82,8 mil) menos do que em relação ao trimestre homólogo, em que diminuiu 13,7% (143,4 mil).”

No entanto, o INE recorda que durante os trimestres do programa de ajustamento e de austeridade foi quando a situação mais de degradou. “Do 1.º trimestre de 2011 ao 1.º trimestre de 2013, a população desempregada e a subutilização de trabalho aumentaram 37,7% e 38,5%, respetivamente (abrangendo 253,6 mil e 408,7 mil pessoas em cada caso).”

No mesmo período a taxa de desemprego subiu de 12,4% para 17,5% e a taxa de subutilização do trabalho saltou de 18,9% para 26,4%.

Depois melhorou. “O indicador da subutilização do trabalho em Portugal tem descrito uma trajetória descendente e próxima da da população desempregada, registando decréscimos frequentes desde o 2.º trimestre de 2013.”

Fenómeno da subutilização preocupa o BCE

Este debate sobre a subutilização do trabalho e o prejuízo que causa nas economias, reduzindo o seu potencial e a produtividade, tem vindo a crescer nos últimos meses. O Banco Central Europeu (BCE) abordou longamente este tema durante o último Fórum BCE, em Sintra, no final de junho.

Um fator que pode estar a condicionar a subida da inflação é esse desemprego em sentido lato, isto é, a medida que inclui as formas de desaproveitamento da capacidade produtiva da população.

Mario Draghi, o presidente da instituição, disse que receia que não se esteja a trabalhar com uma “noção correta de desemprego”. “Pode haver uma folga residual no mercado de trabalho que não está a ser totalmente capturada nas principais medidas de desemprego”.

“O desemprego da zona euro aumentou durante a crise, mas também subiu o número de trabalhadores subempregados (que gostariam de trabalhar mais horas) ou os que têm empregos temporários e desejam vínculos mais estáveis. Isto tem implicações na dinâmica da inflação, uma vez que estas pessoas podem dar prioridade a ter mais horas de trabalho ou mais segurança no emprego em detrimento de salários mais elevados quando encetam negociações laborais”, discorreu Mario Draghi.

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