INE confirma: consumo e investimento atiram economia para recessão de 16,3%

"Quase interrupção do turismo" de estrangeiros também pesou no resultado do PIB no segundo trimestre, numa contração histórica da economia.

Não houve componente do produto interno bruto a escapar ao impacto da pandemia de covid-19 no segundo trimestre do ano. O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou esta segunda-feira, 31 de agosto, uma recessão histórica de 16,3% entre abril e junho.

O consumo privado e o investimento foram as componentes que mais contribuíram para o desempenho negativo da economia no segundo trimestre. "A forte contração da atividade económica refletiu o impacto da pandemia covid-19 que se fez sentir de forma mais intensa nos primeiros dois meses do segundo trimestre", começa por indicar o gabinete de estatística.

"A procura interna apresentou um contributo negativo para a variação homóloga do PIB consideravelmente mais acentuado que o observado no trimestre anterior (passando de -1,2 para -11,9 pontos percentuais), refletindo a expressiva contração do consumo privado e do investimento", justifica.

Também a queda das exportações teve um forte impacto. "O contributo da procura externa líquida foi mais negativo no 2º trimestre (passando de -1,1 para -4,4 p.p.), observando-se uma diminuição mais acentuada das exportações de bens e serviços (-39,5%) que nas importações de bens e serviços (-29,9%), devido em grande medida à quase interrupção do turismo de não residentes", acrescenta o INE.

Famílias consomem menos, exceto alimentação

Como já referido, a queda no consumo das famílias foi determinante para o mau desempenho da economia no segundo trimestre do ano face a igual período de 2019. E a contração foi maior nos bens duradouros, com destaque para a compra de carros.

"As despesas das famílias residentes em bens duradouros apresentaram uma acentuada redução (taxa de -27,6%), após terem diminuído 4,9% no 1º trimestre, refletindo principalmente uma quebra abrupta das aquisições de veículos automóveis", informa o INE.

Também se verificou uma forte quebra na compra de bens não duradouros e serviços. "A componente de bens não duradouros e serviços também diminuiu de forma expressiva, passando de uma taxa de variação homóloga de -0,6% no 1º trimestre para -13,6%, verificando-se, no entanto, um crescimento mais acentuado na componente de bens alimentares no 1º e 2º trimestre", refere o gabinete de estatística.

Mas nas compras dos portugueses houve uma parcela de bens não duradouros que cresceu: a alimentação, que registou uma variação homóloga de 4,7%.

Resultado do fraco desempenho do turismo estrangeiro, o consumo privado em Portugal registou uma "taxa de variação homóloga de -21,7% no 2º trimestre de 2020, após uma redução de -2,1% no trimestre anterior", lê-se no destaque divulgado esta segunda-feira.

Construção escapa à quebra do investimento

O investimento foi outra componente com um desempenho que afetou fortemente o PIB no segundo trimestre. No 2º trimestre, o investimento registou um decréscimo homólogo de 10,8%, em volume (-3,5% no trimestre anterior), observando-se uma diminuição de 9,0% da formação bruta de capital fixo (FBCF) total (taxa de -0,6% no 1º trimestre) e um contributo negativo de 0,4 pontos percentuais (p.p.) da variação de existências para a variação homóloga do PIB (-0,5 p.p. no trimestre anterior)", começa por referir o gabinete de estatística.

Mas o "comportamento das diversas componentes da FBCF foi muito heterogéneo", nota o INE. Se o investimento em equipamento, transporte, máquinas e produtos de propriedade intelectual caíram, o investimento em construção teve uma evolução contrária.

"Em sentido inverso, a FBCF em Construção acelerou, passando de uma variação homóloga de 2,5% para 7,5% no 2º trimestre, contrastando com o verificado em vários países da União Europeia, onde o setor da construção terá também sido muito afetado pelo impacto negativo da pandemia covid-19", refere o INE.

Falta de turistas afunda exportações

O comércio internacional também sofreu - e muito - com a pandemia nos meses de maior confinamento (sobretudo abril e maio).

"As exportações de bens e serviços em volume registaram uma variação homóloga de -39,5% no

2º trimestre, após terem diminuído 5,1% no trimestre anterior", começa por explicar o INE, acrescentando que para "esta evolução é de destacar a diminuição mais acentuada das exportações de serviços, com uma taxa de variação homóloga de -54,5% (-8,9% no trimestre anterior), sobretudo em consequência da forte contração da atividade turística."

As exportações de bens também diminuíram, mas menos passando de uma variação homóloga de -3,3% para -32,6% no 2º trimestre.

As importações recuaram quase 30% (29,9%), em termos homólogos, com a componente dos serviços a cair mais (-34,8%) do que a dos bens (-28,9%).

Notícia atualizada às 12h47 com mais informação.

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