INE. Contração da economia no 4.º trimestre foi pior do que se pensava: PIB cai mais de 6%

A economia portuguesa também se mostrou mais fraca face ao terceiro trimestre, tendo ganho apenas 0,2% em volume, metade do calculado inicialmente, revela o INE.

A contração da economia portuguesa no quarto trimestre do ano passado foi pior do que o estimado inicialmente. O Instituto Nacional de Estatística (INE) anunciou esta sexta-feira uma revisão em baixa da variação do produto interno bruto (PIB). Este caiu 6,1% comparativamente ao quarto trimestre de 2019, e não 5,9%, como anunciado na estimativa rápida do início deste mês.

Estas estimativas atualizadas estão no novo destaque sobre as contas nacionais trimestrais e anuais.

A economia portuguesa também se mostrou mais fraca face ao terceiro trimestre, tendo ganho apenas 0,2% em volume, metade do que foi inicialmente calculado a 2 de fevereiro.

Em termos anuais, a contração do PIB em 2020 mantêm-se igual: -7,6%, em termos reais ou em volume (descontando a inflação, o efeito dos preços). É uma queda história, provavelmente a mais violenta desde a grande depressão dos anos 20 do século passado.

As causas são conhecidas e agora o INE tem mais números para fazer o retrato dos estragos em contas nacionais provocado pela pandemia covid-19.

Segundo o instituto, parece que, em termos homólogos, o contributo da procura interna foi menos negativo no quarto trimestre do que no precedente, mas a procura externa líquida (saldos entre exportações e importações) saiu bastante pior, o que acabou por conduzir à referida revisão em baixa da variação do produto para -6,1%.

O contributo da procura interna para esta quebra foi de -3,5 pontos percentuais (p.p.) no 3º trimestre, mas na reta final do ano passado aliviou para -2,7 p.p.".

Segundo o INE, foi "resultado sobretudo da diminuição menos intensa do investimento, enquanto o consumo privado registou uma redução mais pronunciada".

Famílias consumiram muito menos e turistas quase desapareceram

Já a procura externa líquida apresentou um contributo mais negativo no 4º trimestre (foi -3,5 p.p. no último trimestre do ano passado depois de -2,1 p.p. no trimestre anterior.

Segundo o instituto, verificou-se "uma contração mais intensa das exportações de bens e serviços (-14,1%)" que a observada nas importações totais (-6,5%).

O consumo privado afundou 4,8% no último trimestre de 2020, estando portanto a cair de forma consecutiva desde o final de 2019, indica o INE.

O consumo público, muito por via da maior intensidade de medidas públicas para segurar a economia (que foi obrigada a entrar em confinamentos gerais e parciais), compensou com um aumento de 3,1% também no quarto trimestre.

O investimento que afundou entre 7% e 10% durante boa parte do ano, melhorou o desempenho, tendo registado uma quebra ligeira no final do ano, uma descida de apenas 0,3%. No entanto, o INE explica que se trata do efeito da variação de existências (efeito de valorização de investimentos já realizados, por exemplo), que foi menos negativo, acabando por ajudar a levantar este agregado macroeconómico.

No setor externo, as exportações afundaram 14,1% na reta final de 2020 e as importações totais desceram 6,5%.

Em termos anuais, o INE destaca o papel depressor do consumo privado na economia como um todo e, sobretudo, "a diminuição sem precedente das exportações de turismo".

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