Contas nacionais

INE. Economia abranda para 2,1%, pior registo em quase 2 anos

António Costa e Mário Centeno. Fotografia: Mário Cruz/EPA
António Costa e Mário Centeno. Fotografia: Mário Cruz/EPA

Trata-se do ritmo de crescimento mais baixo em ano e meio. É preciso recuar ao terceiro trimestre de 2016 para encontrar uma marca inferior.

O Produto Interno Bruto (PIB) português aumentou 2,1% no 1º trimestre de 2018 face a igual período do ano passado, mas menos do que os 2,4% do último trimestre de 2017, anunciou esta terça-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Trata-se assim do ritmo de crescimento mais baixo em quase dois anos. É preciso recuar ao terceiro trimestre de 2016 para encontrar uma marca inferior (2%), mostra a nova estimativa rápida.

A expansão de 2,1% deste arranque de ano fica abaixo da projeção do governo (Programa de Estabilidade), que é 2,3% para 2018 como um todo.

No entanto, o objetivo anual ainda parece alcançável pois faltam nove meses de atividade até ao final de 2018, apesar de começarem a surgir sombras no horizonte, como por exemplo a subida rápida do petróleo, que pode complicar o crescimento da economia já este ano, como noticiou o Dinheiro Vivo.

Fonte: INE

Fonte: INE

Exportações perdem gás

Neste novo destaque, o INE explica que foram sobretudo as exportações que fizeram a economia abrandar. “A procura externa líquida [o saldo entre exportações e importações] registou um contributo mais negativo, em resultado da desaceleração mais acentuada das exportações de bens e serviços que a registada nas importações”.

Recorde-se que no quarto trimestre de 2017, tinha sido ao contrário. As vendas para o estrangeiro estavam a avançar mais do que as compras. As exportações subiram 7,2%; as importações 6,9%.

O instituto repara ainda numa “ligeira desaceleração do consumo privado, enquanto o investimento apresentou um crescimento ligeiramente mais acentuado, determinado pelo comportamento da variação de existências, refletindo o efeito base do contributo negativo verificado no 1º trimestre de 2017”.

Isto é, o consumo privado terá crescido menos de 2% em termos homólogos neste primeiro trimestre e o investimento aumentou mais de 5,9%.

Na questão do investimento, refira-se ainda que uma variação de existências positiva, que ajudou o agregado a subir mais, reflete uma valorização de materiais e equipamentos em stock, armazenados, isto é, os bens que entraram em armazém valem mais do que os que saíram e do que as desvalorizações entretanto ocorridas.

Em termos trimestrais (variação em cadeia), o INE também dá conta de um abrandamento. A economia cresceu apenas 0,4% neste primeiro trimestre, menos do que os 0,7% do último trimestre do ano passado.

Os resultados mais completos e definitivos das contas nacionais trimestrais relativas ao 1º trimestre de 2018 “serão divulgados no próximo dia 30 de maio de 2018”, diz o INE.

(atualizado às 10h10)

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