Contas nacionais

INE. Economia acelera para 2,3% no segundo trimestre

défice programa estabilidade legislatura orçamento
António Costa, Augusto Santos Silva e Mário Centeno. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes

O Orçamento do Estado deste ano tem por base um crescimento real da economia de 2,2%. Em abril, as Finanças subiram a meta para 2,3%.

A economia portuguesa acelerou ligeiramente para 2,3% no segundo trimestre, revelou esta terça-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE), na estimativa rápida para o produto interno bruto (PIB) em termos reais, isto é, descontando a inflação.

No primeiro trimestre deste ano, o ritmo de expansão tinha abrandado para 2,1% por causa do enfraquecimento das exportações.

Agora, o INE mostra que o crescimento trimestral volta a ficar mais em linha com a projeção que serve de base ao Orçamento do Estado (2,2%) e do Programa de Estabilidade (2,3%).

“A procura interna registou um contributo mais positivo, em resultado da aceleração do consumo privado, enquanto o investimento apresentou um crescimento menos acentuado, determinado em larga medida pela diminuição da formação bruta de capital fixo em material transporte”, explica o instituto.

Fonte: INE

Fonte: INE

Há um ano, investimento em veículos subiu 35%

A perda de gás no investimento no período de abril a junho resulta de um efeito de base. Isto porque no segundo trimestre de 2017 registou-se uma “forte aceleração” naquela rubrica dos transportes.

Recorde-se que no ano passado, por esta altura, o INE revelou que o investimento em equipamentos de transporte (camiões e carros de serviço, por exemplo) disparou mais de 35%, levando o investimento fixo total a subir 11,4%, o melhor registo em quase 19 anos.

É natural que no terceiro trimestre este tipo de investimento em veículos possa cair menos ou até voltar a crescer, uma vez que em igual período de 2017 a rubrica aumentou 14%. É um valor significativo, mas metade dos 35% do início deste ano.

Chuva também complicou arranque do ano

Além disso, o investimento do primeiro trimestre foi perturbado pelas chuvas intensas, sobretudo no mês de março, que complicaram a atividade da construção civil.

No final de maio, o instituto explicou que “o abrandamento da FBCF total resultou, em grande medida, do crescimento menos intenso” da subcomponente construção, “que passou de uma variação homóloga de 7,9% no 4º trimestre para 2,3%”. “Refira-se que em março se registaram elevados níveis de precipitação, o que poderá ter condicionado a atividade de construção”.

Exportações sem força suficiente

Já “a procura externa líquida [exportações menos importações] apresentou um contributo negativo idêntico ao observado no trimestre anterior”, remata o INE, num breve comentário sobre a variação homóloga no segundo trimestre.

Recorde-se que as exportações abrandaram muito (em termos homólogos) entre o quarto trimestre de 2017 e o primeiro de 2018, de 7,3% para apenas 4,6%, respetivamente. Esta expansão de 4,6% foi o pior registo em quase dois anos.

Na estimativa rápida divulgada esta terça-feira, o INE não avança com números para os agregados da procura, apenas para o PIB.

O crescimento trimestral (em cadeia) foi de 0,5% no segundo trimestre, acelerando assim ligeiramente face aos 0,4% do arranque do ano.

“O contributo da procura externa líquida para a variação em cadeia do PIB foi ligeiramente menos negativo, refletindo a aceleração das exportações de bens e serviços superior à das importações”. Além disso, “o contributo positivo da procura interna manteve-se inalterado no 2º trimestre”.

“Os resultados correntes das contas nacionais trimestrais do 2º trimestre de 2018 serão divulgados no próximo dia 31 de agosto de 2018”, refere o instituto.

(atualizado às 10h10)

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
(Artur Machado / Global Imagens)

Dinheiro Vivo mantém-se líder digital dos económicos

(Artur Machado / Global Imagens)

Dinheiro Vivo mantém-se líder digital dos económicos

O ex-governador do Banco de Portugal (BdP), Vítor Constâncio, na II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República. TIAGO PETINGA/LUSA

BCP, Berardo e calúnias. As explicações de Constâncio no inquérito à CGD

Outros conteúdos GMG
INE. Economia acelera para 2,3% no segundo trimestre