INE. Economia portuguesa volta a ter défice externo

Pedro Passos Coelho e Paulo Portas lideraram o governo entre 2011 e 2015. Foto: Gerardo Santos/Global Imagens
mostram dados do INE relativos ao primeiro semestre deste ano, ontem divulgados. E a economia volta a ter défice externo. Não acontecia desde 2012."> Pedro Passos Coelho e Paulo Portas lideraram o governo entre 2011 e 2015. Foto: Gerardo Santos/Global Imagens

As famílias portuguesas estão a cortar na poupança, que caiu para um dos níveis mais baixos de sempre, ao mesmo tempo que canalizam a esmagadora maioria do rendimento disponível para consumo (95,8%), mostram dados do INE relativos ao primeiro semestre deste ano, ontem divulgados. E a economia volta a ter défice externo. Não acontecia desde 2012.

De acordo com cálculos do Dinheiro Vivo, a taxa de poupança caiu para 4,5% do rendimento disponível no primeiro semestre. É preciso recuar até ao ano da grande crise financeira (primeiro semestre de 2008) para encontrar um registo parecido, mas ligeiramente mais fraco (4,3%). As séries do INE com os agregados sectoriais (País, Estado, famílias, empresas e bancos) remontam a 1999.

Esse ano de 2008 coincidiu com o rebentamento da crise financeira global (subprime) que arrasou com os bancos e, por arrasto, com os Estados que seguraram os sistemas financeiros nacionais através de ajudas e nacionalizações bancárias.

Os dados do INE mostram que as famílias portuguesas voltaram ao seu modo de vida tradicional, gastando quase todo o rendimento em consumo e dedicando cada vez menos valores à poupança.

Consumo explode, rendimento não

No primeiro semestre, o rendimento disponível cresceu ligeiramente (mais 1,6% no primeiro semestre de 2015 face ao mesmo período de 2014, para 60,6 mil milhões de euros), ao passo que o consumo engordou 3,7% em termos nominais, o ritmo mais elevado desde finais de 2010, estava Portugal em queda livre em direção ao resgate.

Só para se ter uma noção, o rendimento disponível só supera as despesas de consumo em apenas 2,5 mil milhões de euros, o segundo valor mais baixo das séries.

Poupança colapsa 28%

A poupança caiu de forma violenta (menos 28%) na primeira metade deste ano. As famílias só conseguiram aforrar 2,7 mil milhões de euros, um mínimo que apenas é vencido em 2008 (2,6 mil milhões no primeiro semestre desse ano).

Como tem ficado patente nas várias análises de conjuntura (Banco de Portugal, Governo, Comissão Europeia, INE), a economia está a ser maioritariamente puxada pelo consumo interno, o que tem feito subir as importações, ajudando a desequilibrar outra vez a economia.

Os portugueses gastam agora 96% do que ganham em consumo, valor equiparável aos 96,1% da primeira metade de 2008, ano do colapso do Lehman Brothers (e do BPN em Portugal).

Ainda este mês o Banco de Portugal mostrou que parte da força do consumo (e da economia) está a ser financiada com crédito.

Os valores acumulados do novo crédito concedido a particulares mostram um aumento muito pronunciado nesse ramo. Até setembro, a subida foi de quase 17%, tendo atingido 1,8 mil milhões de euros em novos empréstimos. É preciso recuar até 2006 para encontrar um mês de setembro mais forte neste segmento. E o valor contratado no consumo até ultrapassa o da habitação.

País volta a ter défice externo

Com mais consumo, importações e menos poupança, o INE revela que o reequilíbrio externo da economia, uma das grandes bandeiras deste Governo e do programa da troika, sofre um duro revés neste primeiro semestre.

O país como um todo volta a gastar mais do que a riqueza que produz e isso traduz-se num défice externo de 0,8% do PIB no primeiro semestre (1,8% no segundo trimestre). Desde meados de 2012, estavam o ajustamento e a desvalorização interna no máximo que não acontecia.

O Governo, no Programa de Estabilidade, prevê um excedente externo de 2,1% do PIB este ano (4,8% de excedente conjunto do lado privado a que se subtrai o défice de 2,7% do sector público).

O INE mostra que a maior fonte de défice continua a ser o Governo (défice de 4,1 mil milhões), mas que empresas e famílias pioraram muito a sua situação. As empresas tinham um excedente de financiamento de 476 milhões no primeiro semestre de 2014, agora têm um défice de 82 milhões. O saldo das famílias desceu de dois mil milhões para 700 milhões de euros.

O mesmo INE, que faz as contas com base nas médias móveis dos últimos quatro trimestres, confirma que o saldo externo está a diminuir e que “esta evolução deveu-se à diminuição da poupança bruta, tendo a despesa de consumo final aumentado mais que o rendimento disponível bruto”. Além disso, “o saldo externo de bens e serviços diminuiu para 0,4% do PIB (menos 0,2 p.p. que no trimestre anterior), tendo as exportações e as importações aumentado 1,8% e 2,4%, respetivamente”.

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