Comércio

Exportações crescem 0,9% em 2016, o pior registo desde 2009

Fotografia: Rui Coutinho / Global Imagens
Fotografia: Rui Coutinho / Global Imagens

Exportações totais têm pior evolução em sete anos. Vendas sem combustíveis também travaram, para 2,4%. Défice comercial piorou 282 milhões de euros.

As exportações totais de mercadorias desaceleraram fortemente em 2016, tendo crescido apenas 0,9% em termos nominais no conjunto do ano, o pior registo em sete anos, mostra o Instituto Nacional de Estatística (INE), esta quinta-feira. Em 2015, a expansão tinha sido de 3,7%.

No entanto, as importações de bens também perderam algum gás no ano passado: estavam a crescer 2,2% em 2015 e no ano seguinte apenas 1,2%, diz o INE no estudo sobre o fecho de 2016.

Em todo o caso, é preciso recordar que Portugal continua a ser um país comercialmente deficitário, isto é, importa sempre mais do que exporta, pelo que este défice voltou a aumentar em 2016 (281 milhões de euros).

Em 2016, as empresas exportadoras nacionais venderam ao estrangeiro qualquer coisa como 50,3 mil milhões de euros em mercadorias, valor que compara com os 61 mil milhões de euros em bens importados.

E mesmo sem contar com os combustíveis, dos quais Portugal é muito dependente (quer nas exportações, quer nas importações), o cenário ainda é pior.

Diz o INE que “o défice da balança comercial excluindo os combustíveis e lubrificantes situou-se em 7,641 mil milhões de euros, correspondente a um aumento de 1,405 mil milhões de euros face a 2015”.

Isto acontece porque as importações sem componente de energia cresceram ao dobro do ritmo das exportações desse mesmo tipo. As primeiras avançaram 4,8%, ao passo que as vendas portuguesas sem combustíveis apenas subiram 2,4%.

Brexit, protecionismos, falta de investimento

No entanto, o ambiente mais turbulento e incerto a nível internacional, marcado na Europa pelo brexit, pelas pressões protecionistas de alguns países, pela retoma retardada em muitos deles, mas também a falta de investimento em novos projetos e em aumentos de capacidade em Portugal, fazem com que as vendas portuguesas se ressintam.

O referido aumento de 0,9% nas exportações totais é o pior registo em sete anos (desde 2009), ano em que afundaram mais de 18% em termos anuais. As exportações até aceleraram um pouco entre 2014 e 2015 (crescimento passou de 1,6% para 3,7%), mas essa dinâmica durou pouco.

Como correu dezembro

O INE faz ainda uma análise mais detalhada sobre o comércio internacional no final do ano. Diz que em dezembro de 2016, os maiores aumentos homólogos nas exportações aconteceram nos “combustíveis e lubrificantes (+55,9%)”, nos “fornecimentos industriais (+8,3%) e material de transporte e acessórios (+19,7%)”.

“Nas importações, em dezembro de 2016 em relação ao mesmo mês de 2015 os maiores aumentos verificaram-se nos combustíveis e lubrificantes (+40,1%), material de transporte e acessórios (+27,3%) e nas máquinas e outros bens de capital (+15,6%). De notar que as importações de Combustíveis e lubrificantes não registavam um aumento desde maio de 2015″, observa o instituto.

Quanto aos territórios mais importantes, a autoridade estatística diz que “em dezembro de 2016 nas exportações registaram-se acréscimos em todos esses parceiros face ao mesmo mês de 2015, tendo as exportações para Espanha, Alemanha e Estados Unidos sido as que mais aumentaram”.

Nas importações , “apenas dois países registaram reduções face ao mês homólogo de 2015: Angola (sobretudo devido aos combustíveis e lubrificantes) e Espanha. Os restantes países registaram aumentos, com maior destaque para a Alemanha“.

(atualizado às 12h00)

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