Imobiliário

“Inédito”. Promoção e reabilitação de imóveis captou dois mil milhões de euros

(Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)
(Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Terrenos da Feira Popular ou portefólio Viriato do Novo Banco contribuíram para uma "dimensão inédita de investimento" em 2018.

Foram cerca de 50 negócios que fizeram 2018 bater mais um recorde no campeonato do imobiliário. Segundo as contas da consultora Cushman & Wakefield, apresentadas esta quinta-feira, foram captados no ano passado mais de dois mil milhões de euros de investimento em promoção e reabilitação urbana.

O valor acresce aos três mil milhões de euros investidos em imobiliário comercial, também um recorde, no qual só é contabilizado produto acabado, como centros comerciais, escritórios ou hotéis.

Já o investimento em promoção e reabilitação inclui, por exemplo, terrenos ou prédios comprados com inquilinos. Foram os casos do portfolio Golden, que a Fidelidade vendeu aos norte-americanos da Apollo por 425 milhões de euros, ou do portfolio Viriato, vendido pelo Novo Banco a fundos da americana Anchorage por 388 milhões de euros.

Nestas contas entram ainda os terrenos da Feira Popular, vendidos pela Câmara de Lisboa à Fidelidade, ou a compra, por parte da Mabel Capital, do quarteirão da Suiça, na baixa de Lisboa. Segundo Eric van Leuven, diretor-geral da consultora em Portugal, esta foi “seguramente uma dimensão inédita de investimento”. A este montante é preciso adicionar ainda os cinco mil milhões de euros de crédito malparado que os bancos venderam, dos quais grande parte dizem também respeito a imóveis.

No geral, destacou o responsável durante a apresentação do balanço do ano aos jornalistas, 2018 foi um ano “excecional” para o setor, marcado pela “falta gritante” de casas e escritórios. Uma tendência que vai, de resto, manter-se no novo ano, apesar dos projetos que estão em pipeline.

O ano dos centros comerciais

No segmento comercial, o ano passado foi agitado pelos negócios de grande volume, em particular pela venda de grandes portfólios de centros comerciais, que concentrou 36% do investimento. Em 17 negócios foram transacionados mil milhões de euros. O maior negócio do ano foi a venda do portfolio de retalho da Blackstone, que incluiu o Forum Sintra, Sintra Retail Park e Forum Montijo, por 411 milhões de euros. O Almada Forum foi transacionado por 407 milhões.

Em 2019 deverão ser concretizadas mais transações, ainda que menores, e será posta em marcha a expansão do Colombo e do Norte Shopping.

O mercado foi dominado pelo investimento estrangeiro: 94% do total. Os franceses colocaram 765 milhões de euros, seguidos por espanhóis (580 milhões) e britâncos (500 milhões). Os portugueses investiram 160 milhões de euros.

A análise revela ainda que o mercado de escritórios da Grande Lisboa teve um dos melhores anos de sempre, ao nível de espaço arrendado, que terá ultrapassado os 200 mil metros quadrados. As tecnológicas que se instalaram em Lisboa foram responsáveis por 33% da procura. A maior ocupante foi a Teleperformance.

Já no retalho o destaque vai para a abertura de lojas de rua, que representou 44% da procura. No total foram assinados 650 contratos novos. Mais de metade (310) foram restaurantes.

170 novos hotéis até 2023

Na hotelaria o ano também foi forte, segundo a Cushman. Abriram 50 novas unidades, num total de três mil novos quartos. A maior parte de quatro e cinco estrelas. As previsões apontam para mais 140 aberturas até 2020. Olhando ainda mais além, para 2023, é de esperar que venham a ser inaugurados 170 novos projetos, ou 15 mil quartos. 40% serão de cinco estrelas e 31% ficarão na Área Metropolitana de Lisboa.

Para 2019 a Cushman prevê mais um ano “muito positivo”, apesar de um expectável abrandamento na subida dos preços. Em termos de investimento, estão estimados para 2019 mais de 2,8 mil milhões de euros em transações. A falta de casas para a classe média vai manter-se, o que deverá animar a retoma da promoção imobiliária. Os especialistas prevêm ainda que ganhem terreno investimentos considerados alternativos, como as residências para estudantes ou espaços de co-working.

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