Inflação

Inflação baixa dá a Portugal sexto melhor ganho em competitividade no Euro

Contentores no Porto de Lisboa. 
(Gerardo Santos / Global Imagens)
Contentores no Porto de Lisboa. (Gerardo Santos / Global Imagens)

Com a inflação a trilhar por baixo do alvo da política monetária, indicadores do BCE mostram ganhos generalizados no espaço da moeda única em 2019. Só a Eslováquia perde.

É o principal quebra-cabeças da política monetária atual, mas também se traduz em ganhos relativos no comércio internacional. A anemia dos preços europeus garantiu no ano passado ganhos de competitividade generalizados para o bloco da moeda única. Portugal, na cauda da inflação entre os 19, teve o sexto maior ganho em competitividade de preços segundo os últimos dados publicados pelo Banco Central Europeu.

Portugal registou, em dezembro, uma melhoria anual próxima dos 2% no indicador de competitividade harmonizado do BCE, com base na evolução do índice de preços no consumidor. Este indicador compara a competitividade dos preços em cada país, segundo o câmbio efetivo frente a 38 parceiros comerciais da Zona Euro, assim como no comércio intraeuropeu. A média de ganhos no grupo ficou no final do ano em 3,3%.

A melhoria do indicador português vem refletir os meros 0,4% de inflação com que os preços portugueses terão chegado a dezembro, nas estimativas já conhecidas e que vão ser confirmadas pelo Instituto Nacional de Estatística na segunda-feira. Portugal termina assim 2019 com a mais baixa inflação do Euro – empurrada para baixo, sobretudo, pelo recuos dos custos da energia.

Na frente dos ganhos está a Irlanda, com um ganho de 2,8% no indicador de competitividade, mas com uma inflação anual de dezembro estimada em 1,1%. Seguem-se Itália, Bélgica, Malta e Espanha antes de Portugal, num grupo onde só a Eslováquia regrediu no indicador que atende também às relações cambiais com os parceiros de trocas de cada país.

A inflação tem-se mantido persistentemente baixa entre as economias da moeda única, ainda que o BCE – cujo mandato visa ancorar preços em torno dos 2% – tenha vindo a manter as taxas de juro em mínimos históricos e, já em setembro passado, tenha decidido retomar estímulos significativos. Na Europa, como também no resto do mundo desenvolvido, vários economistas apontam que poderá estar em causa uma chamada “japonificação” da economia, ou seja, o arrastar de crescimentos fracos prolongados sem animação de preços.

A situação atual, no entanto, tende a projetar positivamente a Europa no comércio global. Incluindo Portugal, com os ganhos significativos no indicador. Ainda assim, dizem respeito apenas a 2019, ano que comemorou o 20.º aniversário da moeda única. Quando se tem em conta o percurso desde então, porém, surge apenas na 10.ª posição das economias com maior progressão na competitividade de preços. Nesta lista ganha a Alemanha, seguida da França e da Finlândia.

Portugal já não surge tão bem na classificação do BCE que diz respeito à evolução da competitividade que atende aos custos do trabalho. E, isto, apesar dos salários relativamente baixos praticados no país. Nos últimos dados, relativos ao terceiro trimestre do ano passado, Portugal surge apenas em 14.º lugar numa lista encabeçada pela França, seguida de Grécia e Finlândia.

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