Inflação pressiona nova subida dos juros em 55 pontos na zona euro

Banco Central Europeu antecipa agravamento das taxas diretoras já no próximo mês. No final do ano, a subida das taxas pode atingir, em termos acumulados, 118 pontos.

A subida das taxas de juro na zona euro em 50 pontos base, em julho, não está a conseguir estancar a sangria provocada pela inflação. Esta quinta-feira, o Eurostat revelou que o índice de preços no bloco da moeda única voltou a subir de 8,6% para 8,9%, que é quatro vezes superior à meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE). Isabel Schnabel, membro da comissão executiva do BCE antecipa agora, em entrevista à Reuters, um novo agravamento das taxas diretoras em 55 pontos base já em setembro. Este cenário, a concretizar-se, terá um duro impacto nas taxas de juro ao consumo e à habitação.

"Em julho, o BCE decidiu aumentar as taxas em 50 pontos base porque estava preocupado com as perspetivas de inflação, mas as preocupações não foram aliviadas", reconhece Schnabel à Reuters, acrescentando que não considera que "essas perspetivas tenham mudado fundamentalmente".

Um aumento das taxas de juro já em setembro é visto como certo, mas ainda não há consenso sobre a sua dimensão, estando os agentes políticos divididos entre 25 e 50 pontos base. Embora Isabel Schnabel, do BCE, defenda uma subida superior. Segundo a agência de notícias Reuters, os mercados têm aumentado as suas apostas nas últimas semanas, à medida que as pressões inflacionistas crescem. E, agora, estimam um aumento de 55 pontos base para setembro e um movimento combinado de 118 pontos base até o final do ano.

Schnabel teme que a subida dos juros em julho não seja suficiente: "Eu não excluo que, no curto prazo, a inflação vá aumentar ainda mais, ainda vai levar algum tempo até que a inflação volte a 2%". Schnabel considera que as projeções do BCE estavam erradas, e que, por isso, "os números reais de crescimento de preços precisam de ter maior peso nas tomadas de decisão".

Contudo, o BCE teme que este aumento das taxas de juro ocorra em simultâneo com uma recessão, provocada pelo aumento dos preços do petróleo. Schnabel tem consciência desse risco: "Há uma forte indicação de que o crescimento vai desacelerar e não descarto que possamos entrar numa recessão técnica, especialmente se o fornecimento de energia da Rússia for interrompido mais ainda".

Esta tomada de posição surge no mesmo dia em que o Eurostat reviu em alta a inflação para a zona euro e União Europeia e um dia depois de terem sido conhecidas as atas da reunião de política monetária de 26 e 27 de julho da Reserva Federal Norte-Americana (FED) que antecipam mais subidas dos juros nos EUA se a inflação não descer substancialmente.

Na reunião do mês passado, a Fed aprovou um aumento de 75 pontos base das taxas de juro, com o objetivo de reduzir a inflação, de 8,5%, em julho, para a meta de 2%, que é também a marca que o BCE quer alcançar.

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