investigação e desenvolvimento

Inovação em debate na Universidade de Aveiro

Inovação

Agência Nacional de Inovação e Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia entregam Prémio Nacional de Inovação

A persistência da inovação e o modo como esta se relaciona com a instabilidade política é o tema do estudo de Joana Costa, Anabela Botelho e Aurora Teixeira, um dos quatro trabalhos vencedores do Prémio Nacional de Inovação. Serão apresentados publicamente, esta terça-feira, numa conferência organizada pela Agência Nacional de Inovação, pelo Gabinete de Estratégia e Estudos (GEE) do Ministério da Economia e pela Universidade de Aveiro. O ministro da Economia, Caldeira Cabral, preside ao evento.

O Gabinete de Estratégia e Estudos e a Agência Nacional para a Inovação (AGI) abriram, em 2017, uma Call for Paper sobre a área da Inovação baseada em Conhecimento. O objetivo era “incentivar à realização de estudos que permitam a identificação de problemas e a implementação de soluções de política económica em Portugal na área da Inovação Baseada no Conhecimento”. Os quatro artigos vencedores – The effect of entrepreneurial origin on firms’ performance: The case of Portuguese academic spinoffs; Absorptive Capacity and Firms’ Generation of Innovation: Revisiting Zahra and George’s Model; Persistence in innovation and innovative behavior in unstable environments e The efficiency of Portuguese Technology Transfer Offices and the importance of university characteristics – são apresentados esta tarde, na Universidade de Aveiro.

O estudo Persistence in innovation and innovative behavior in unstable environments é da responsabilidade de Joana Costa, Anabela Botelho e Aurora Teixeira, que consideram que, num ambiente macroeconómico e político de incertezas e flutuações, “é expectável” que as empresas tenham reagido “alterando o seu comportamento” em termos de inovação. Recorrendo a um painel de 1099 empresas localizadas em Portugal, entre 2004 e 2010, os autores constatam que, em ambientes instáveis, “não existe uma relação automática e linear entre inovação passada, comportamento inovador atual e resultados futuros”. Ou seja, “não é validada a hipótese de persistência de inovação”.

Considera o estudo que as grandes empresas que operam na indústria transformadora, que foram inovadoras no passado, têm uma “menor probabilidade de inovar no futuro” e que os ‘novos inovadores’, designadamente as pequenas e médias empresas, observam uma “maior probabilidade de inovação futura”. Defendem, por isso as autoras que, sendo que a persistência da inovação não é válida na amostra considerada, “é expectável que incentivos de política de inovação não tenham um efeito duradouro sobre o comportamento inovador das empresas”.

Por outro lado, e como as empresas não tendem a persistir nos esforços de inovação, o estudo considera que, se os decisores políticos entenderem implementar incentivos para estimular a inovação, estes deverão ter um caráter duradouro e de longo prazo para que tenham impacto micro e macroeconómico. Por fim, as autores concluem que, na ausência de evidência que suporte a persistência da inovação, é “improvável que os inovadores passados (grandes empresas) sejam os impulsionadores da acumulação criativa e da inovação futuras”. Mas que há “evidência de que os novos inovadores (PMEs) possam liderar a ‘onda criativa’”, pelo que, concluem, “há racionalidade económica para promover políticas públicas voltadas para as startups“.

Da autoria de Natália Barbosa e Ana Paula Faria, o artigo The effect of entrepreneurial origin on firms’ performance: The case of Portuguese academic spinoffs analisa estas empresas criadas em Portugal entre 1975 e 2010 e que, em 2015, estavam ainda ativas no mercado. As autoras concluem que as spinoffs “crescem comparativamente mais do que as suas contrapartes através da acumulação de recursos (aferida pelo volume de emprego) e internacionalização”. Contudo, destacam que estes diferenciais de desempenho parecem não se traduzirem em ganhos de produtividade e eficiência, “indicando que as spinoffs académicas tem dificuldades em explorarem e beneficiarem das vantagens comparativas de conhecimento e internacionalização”.

O estudo mostra que, inicialmente, estas empresas “tendem a registar volumes de negócios maiores do que as suas contrapartes”, mas que não conseguem manter esse efeito de escala à medida que envelhecem. O que leva as autoras a concluir que as spinoffs académicas em Portugal “contribuem para a criação de emprego mas a sua relevância como fator diferenciador de crescimento económico e fomentador de ganhos de produtividade ainda é limitado”.

Já o trabalho submetido por Dina Pereira e João Leitão, sob o título Absorptive Capacity and Firms’ Generation of Innovation: Revisiting Zahra and George’s Model, dedica-se a analisar um conjunto selecionado de indicadores internos ao nível organizacional, que medem a capacidade de absorção da empresa e um conjunto de fatores de ligação. Usam, para isso, duas subamostras de empresas industriais e de serviços com sede fiscal em Portugal, que participaram no Community Innovation Survey de 2010 (CIS 2010). Os resultados obtidos na abordagem empírica revelam, indicam os autores, que as atividades de investigação e desenvolvimento (I&D) desenvolvidas internamente pelas empresas, bem como a aquisição de atividades de I&D desenvolvidas externamente e compra de conhecimento externo – equipamentos, software, licenças e treino específico dos funcionários em atividades de inovação – “afetam a geração de inovação das empresas de modo diferenciado nas duas subamostras sob análise, o que proporciona um conjunto de novas implicações para a política de ciência e tecnologia e de inovação”.

Por fim, o estudo de Aurora Teixeira e André Monteiro denominado The efficiency of Portuguese Technology Transfer Offices and the importance of university characteristic considera que o desempenho económico de empresas, regiões e países depende da criação de conhecimento pelas universidades e a sua transferência para as empresas. Sendo a fraca ligação entre universidades e indústria uma das “maiores fragilidades da economia portuguesa! e tendo por fim a promoção do crescimento económico, foram criados, nos anos 2000, por iniciativa e financiamento públicos, as redes dos Gabinetes de Apoio à Promoção da Propriedade Industrial (GAPI)) e das Oficinas de Transferência de Tecnologia e Conhecimento (OTIC). Estes são os Technology Transfer Offices (TTO) portugueses que, segundo o estudo, melhoraram, ao longo do período em análise, a sua eficiência, especialmente nas fases mais a montante do processo de transferência de tecnologia (divulgações de invenção e submissão de pedidos de patentes). “Em contraste, a eficiência dos TTOs diminuiu nas fases mais próximas da comercialização da tecnologia;”, acrescenta o documento.

Para os autores, as características das universidades, designadamente o número de patentes e publicações acumuladas, influenciam positivamente a eficiência dos TTOs, sendo que a base industrial regional, nomeadamente o peso da indústria transformadora e o peso das novas empresas de alta e média tecnologia nas regiões onde a universidade está localizada, “contribuem significativamente para a maior eficiência” destes centros, tanto a montante, na divulgação da invenção e submissão prioritária de patentes, como nas fases a jusante, com a criação de start-ups. O que reflete a importância da existência de spillovers de negócio regionais fortes para a eficiência dos TTOs.

A melhoria da eficiência nas fases a montante do processo de transferência de tecnologia “é encorajadora e reflete os esforços, via sistemas de incentivos e financiamento, por parte das autoridades públicas e das universidades”, ao nível da formação das equipas dos TTO. Estes esforços “devem ser continuados e estendidos às fases próximas à comercialização efetiva da tecnologia”, defendem os autores do trabalho, considerando que as autoridades “devem acionar medidas que promovam a quantidade e qualidade da investigação que é realizada nas universidades portuguesas”.
Por outro lado, o trabalho advoga a necessidade de ser repensada a organização espacial dos TTOs de modo a aproveitar as sinergias e Quatro de base regional. “A existência de ‘TTO regionais’ poderia facilitar o surgimento de equipas especializadas em diferentes setores de atividade, permitindo, em simultâneo, aumentos de escala nos TTOs e o desenvolvimento de uma massa crítica de conhecimento e experiência”, dizem os autores do estudo.

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