Alemanha

Institutos reveem em baixa crescimento alemão para 1,7%

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Escalada de tarifas pode provocar recessão grave na Europa, alerta estudo apresentado esta quinta-feira.

Os principais institutos económicos da Alemanha reviram esta quinta-feira em baixa a estimativa de crescimento da maior economia europeia de 2,2% na primavera para 1,7%, devido ao protecionismo e à falta de pessoal qualificado.

No relatório de outono os institutos alemães também reveem em baixa o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o próximo ano, ainda que apenas menos uma décima, de 2% para 1,9%.

A principal causa desta revisão em baixa é o auge do protecionismo comercial, argumentam os institutos, com a imposição de taxas alfandegárias às exportações de terceiros países para os Estados Unidos e outros Estados, e que afeta especialmente as economias abertas e de forte músculo exportador como a Alemanha.

A situação para o comércio externo “piorou drasticamente” no que já passou deste ano, referem os investigadores, que responsabilizam o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por ser iniciador de uma “espiral global para um crescente protecionismo” a que outros países estão a responder, com a China à cabeça, e que pode ter graves consequências para a Europa.

“Uma escalada do conflito comercial que leve a uma significativa subida das taxas alfandegárias dos Estados Unidos a grande escala pode provocar na Alemanha e na Europa uma grave recessão”, advertem os investigadores.

O sistema de comércio multilateral pode ficar “seriamente danificado” se se prolongar e agudizar esta tendência, indicam.

O outro problema para a economia alemã é o défice de pessoal qualificado, adianta o estudo, já que, dada a situação do mercado laboral – em máximos de pessoas empregadas e em mínimos de desempregadas -, é cada vez mais difícil ocupar os lugares vagos.

Os institutos preveem que a taxa de desemprego se situe este ano em 5,2%, que no próximo exercício desça para 4,8% e em 2020 atinja 4,5%.

A população empregada continuará a marcar máximos, segundo as estimativas dos institutos, com 44,9 milhões de pessoas este ano, 45,3 em 2019 e 45,6 milhões em 2020, sendo que a população total é de 81 milhões de pessoas.

“Devido à escassez de mão-de-obra, os salários vão continuar a subir fortemente”, argumenta o estudo, que prevê para este ano uma subida dos salários associados a convénio de 2,6% e de 2,7% para os dois próximos anos.

O estudo prevê “claros excedentes financeiros do Estado” para este e para os próximos dois exercícios, com uma estimativa de 54.000 milhões de euros já este ano.

O estudo foi elaborado pelo Instituto Alemão para a Investigação Económica (DIW) de Berlim, o Instituto Ifo, o Instituto da Economia Mundial (IfW) de Kiel, o Instituto Leibniz de Investigação económica de Halle (IWH) e o Instituto Leibniz para a Investigação Económica (RWI) de Essen.

Esta semana a Associação da Indústria Alemã (BDI) também reviu em baixa a estimativa para o conjunto deste ano, de 2,25% para 2%, alegando o crescente protecionismo e a guerra comercial entre Washington e Pequim.

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