Davos 2018

Inteligência artificial pode aumentar o emprego em 10% e as receitas em 38%

REUTERS/Kim Hong-Ji
REUTERS/Kim Hong-Ji

Estudo apresentado, em Davos, mostra que só 3% dos empresários pretende investir mais na adaptação dos trabalhadores à revolução tecnológica

Quem disse que a tecnologia é inimiga do emprego? As empresas que invistam em Inteligência Artificial e em sistemas que permitam uma colaboração mais eficiente entre o homem e a máquina vão poder potenciar as suas receitas em 38% e aumentar a sua taxa de emprego em 10%. Para isso, terão que investir nestas áreas na mesma proporção que as empresas de alto rendimento. As conclusão são do novo estudo da Accenture Strategy, esta quarta-feira apresentado em Davos, e que alerta para o risco de perda de “importantes oportunidades de negócio” para quem nada faça: “É urgente tomar medidas imediatas para reforçar o know how das suas equipas de trabalho em Inteligência Artificial e para capacidade os seus colaboradores no domínio das tecnologias inteligentes”.

Em termos setoriais, e no que ao emprego diz respeito, os maiores crescimentos potenciais por via da adoção da Inteligência Artificial e do reforço do know how dos trabalhadores estão nas telecomunicações (21%), na saúde (15%) e nos serviços (11%). Já o reforço de receitas ocorrerá, com maior potencial, nas indústrias dos bens de grande consumo (mais 51%), na saúde (49%) e nas telecomunicações (46%). Também o retalho apresenta um potencial de crescimento acima da média: 41% nas receitas e 10% no emprego.

O estudo, intitulado Reworking the Revolução: Are you ready to compete as intelligent technology meets human ingenuity ro create the future workforce?, é o resultado do inquérito realizado junto de 1200 executivos em 11 países (Alemanha, Austrália, Brasil, China, Espanha, EUA, França, Índia, Itália, Japão e Reino Unido) e de mais de 14 mil trabalhadores, de diversas gerações e com áreas de formação distintas. Em termos de setores, foram analisadas as indústrias automóvel, de consumo, de bens e serviços, de saúde, transportes, energia, media, software, banca, seguros, retalho, telecomunicações e utilities.

E tanto os líder empresariais como os recursos humanos se mostram otimistas quanto ao potencial da Inteligência Artificial nos resultados das empresas e na experiência de trabalho. Segundo o estudo, 72% dos executivos inquiridos referiu que a tecnologia inteligente “será crítica” para a diferenciação das suas organizações no mercado e 61% acredita que o número de funções que vão requerer colaboração com a IA “vai aumentar nos próximos três anos”. Já 67% dos trabalhadores questionados reconhecem a necessidade de se preparem, obtendo “competências específicas para trabalhar com máquinas inteligentes” nos próximos três a cinco anos.

O pior é que só 3% dos executivos assume que pretende investir mais, nos próximos três anos, para recapacitar os seus colaboradores. Isto, apesar de 54% dos 1200 executivos que participaram no estudo reconhecerem que a relação homem-máquina “é importante para as suas prioridades estratégicas”.

“Para atingir elevadas taxas de crescimento na era da Inteligência Artificial, as organizações têm de investir mais na capacitação dos seus colaboradores para trabalharem de uma forma inovadora com as máquinas”, refere, em comunicado, Mark Knickrehm, Group Chief Executive da Accenture Strategy. E acrescenta: “Cada vez mais as empresas vão ser avaliadas pelo seu compromisso com o que designamos por Applied Intelligence – a capacidade de rapidamente incluir tecnologia inteligente e racional humano em todas as áreas do seu negócio core, de forma a assegurar este crescimento”.

O inquérito mostrou, ainda, que 63% dos líderes empresariais acreditam que a IA irá gerar ganhos de produtividade para a sua organização, nos próximos três anos, e que 62% dos funcionários acredita que a tecnologia “terá um impacto positivo” no seu trabalho.

O estudo, apresentado no Fórum Económico Mundial, revela, ainda, como as empresas pioneiras estão a utilizar a colaboração homem-máquina para “melhorar a eficiência”, mas, também, para “potenciar o seu crescimento através de novas experiências de consumidor”. Como? Uma marca de vestuário online que utilize este tipo de tecnologia, pode conhecer melhor as preferências dos seus clientes e “oferecer um serviço único e personalizado”. Ou uma marca de calçado desportivo pode dar um passo em frente na customização, juntando produtores de sapatos qualificados e engenheiros de processos com robots inteligentes, “para desenharem e criarem peças exclusivas para cada mercado”.

“Os líderes empresariais têm de tomar medidas imediatas para enquadrar as suas equipas na nova realidade da Inteligência Artificial, de forma a potenciar novas formas de crescimento. Os colaboradores estão ansiosos por utilizar a IA, de forma a demonstrarem a verdadeira Applied Intelligence dentro da sua organização”, garante Ellyn Shook, Chief Leadership and Human Resources Officer da Accenture.

Re-imaginar o trabalho, reconfigurando-o desde a base até às hierarquias superiores, preparar as equipas de trabalho para áreas que revelem novas formas de valor e aumentar o new skilling são as recomendações que a empresa de consultoria deixa aos empresários para que adaptem as suas equipas a esta nova realidade.

É preciso atribuir tarefas e não empregos, diz a Accenture, que preconiza que aloque tarefas a máquinas e a colaboradores, “equilibrando a necessidade de automatizar o trabalho e levando, mais além, as capacidades das pessoas”. Basta ter em conta que 46% dos executivos inquiridos concorda que as descrições de funções estão hoje “obsoletas” e que 29% refere ter já “redesenhado por completo” as funções atribuídas.

Quanto à preparação das equipas de trabalho, a consultora recomenda que vá além da eficiência dos processos e prepare as equipas para criarem novas experiências de consumidor. As empresas devem, ainda, desenvolver novos modelos de crescimento ao “reinvestir as poupanças obtidas com a automação em equipas futuras”, bem como “gerar um novo ADN de liderança” que se enquadre neste mindset e agilidade requeridos, de forma a “procurar novas oportunidades transformacionais a longo prazo”.

Quanto à formação, o estudo considera que as empresas devem analisar o nível de competências e a vontade de as equipas apreenderem novos conceitos ligados à Inteligência Artificial, de forma a poderem trabalhar diretamente com esta tecnologia. Mas sugere, ainda, o uso de plataformas digitais e programas específicos para os diferentes segmentos, personalizando-os para “melhorar a adoção de novas competências”

 

 

 

 

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