10 anos da crise: Lagarde alerta para fragilidade da banca europeia

A diretora-geral do FMI faz o balanço de uma década do colapso do Lehman Brothers, alertando para as fragilidades da banca europeia.

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou esta quarta-feira para a fragilidade da banca europeia. "Demasiados bancos, em especial na Europa, permanecem frágeis. Provavelmente o capital deveria subir ainda mais", escreve Christine Lagarde no blog do FMI.

Para a líder da instituição sedeada em Washington, os bancos "demasiado grandes para falir (too-big-to-fail, na designação inglesa) continuam a ser um problema à medida que crescem em dimensão e complexidade. Não houve progressos suficientes para resolver bancos falidos, especialmente em casos transfronteiriços."

Christine Lagarde alerta ainda para outro problema que pode ser a "mais preocupante de todas. "Os decisores políticos enfrentam pressões significativas da indústria para reverter a regulação pós-crise."

A líder do FMI reconhece que, ao olhar para trás, parecem "óbvios" os problemas que conduziram à crise financeira, mas lembra também que a maior parte dos economistas falhou na previsão do que estava para chegar. Christine Lagarde recorda que no centro dos problemas esteve o sistema financeiro através de inovações financeiras que "ultrapassaram vastamente a regulação e a supervisão".

Lagarde reconhece que os bancos estão, atualmente, numa melhor posição "com posições de capital e liquidez mais saudáveis", mas "não é suficiente", remata.

Uma crise para durar

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional reconhece que, ao longo dos últimos 10 anos, foi "percorrido um longo caminho, mas ainda não o suficiente" depois do colapso do banco norte-americano Lehman Brothers no dia 15 de setembro de 2008 e que é considerada a data que marca o início da crise financeira.

Christine Lagarde alerta para os perigos e riscos que ainda subsistem. "Percorremos um longo caminho, mas ainda não o suficiente. O sistema está mais seguro, mas não o suficiente. O crescimento recuperou, mas ainda não é suficientemente partilhado", escreve a líder da instituição sedeada em Washington, nos Estados Unidos, para quem a "crise financeira global permanece como um dos eventos definidores no nosso tempo."

A diretora-geral do Fundo Monetário prevê, de resto, que a crise não vá embora tão cedo. "A crise lançou uma longa sombra, que não dá sinais de desaparecer tão cedo", escreve Lagarde.

 

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