Presidente angolano admite que Estado foi lesado em muito mais do que 24 mil milhões de dólares

O Presidente de Angola admitiu que o Estado angolano terá sido lesado em valores superiores aos já anunciados 24 mil milhões de dólares, devendo surgir "números bem maiores" à medida que se forem aprofundando as investigações judiciais.

Num discurso sobre o Estado da Nação que marca hoje a abertura do ano parlamentar, João Lourenço abordou a luta contra a corrupção, que tem sido a bandeira do seu executivo sublinhando a aprovação de diplomas fundamentais e os vários processo crime e cíveis em curso com alguns já transitados em julgado.

O Presidente afirmou que o Estado terá sido lesado em, pelo menos, 24 mil milhões de dólares (20,48 mil milhões de euros), valores que tinha revelado no fim de semana em entrevista ao Wall Street Journal, acrescentando que este montante deve ser superior.

"Dizemos pelo menos por que à medida que se vão aprofundando as investigações de alguns processos e seus protagonistas, vão se descobrindo coisas novas, sendo muito provável que mais tarde se venham a anunciar números bem maiores do que este, que, por si só, já ultrapassam a divida de Angola com seu principal credor", sublinhou, na Assembleia Nacional.

O chefe do executivo angolano estimou que foram já recuperados cerca de 4,9 mil milhões de dólares (4,18 mil milhões de euros) entre imóveis, dinheiro e outros bens.

João Lourenço destacou que o Tribunal de Contas reforçou as ações de fiscalização sobre as contas públicas, o que tem permitido "moralizar a execução financeira do Estado", diminuindo as margens para a prática de corrupção, mudando a perceção dentro e fora do país sobre este "nefasto fenómeno".

João Lourenço deu ainda conta da situação económica do país que, à semelhança de outros territórios, também sofreu fortes alterações devido à pandemia de covid-19. "Para o Orçamento Geral do Estado Revisto para este ano, está previsto um défice fiscal de 4% do PIB, devido a uma redução das receitas do país em cerca de 30% e da diminuição do preço de referência orçamental do barril do petróleo, que passou de 55 para 33 dólares americanos por barril."

João Lourenço destacou que o mercado de trabalho "foi fortemente abalado" devido à pandemia de covid-19, não obstante 19 mil trabalhadores terem encontrado emprego no primeiro semestre através de centros de emprego ou no contacto com empresas.

Foram registados, no mesmo período, sete mil despedimentos e mais de 14 mil suspensões dos vínculos laborais em especial no setor dos serviços, comércio e indústria, educação e construção civil, acrescentou.

Segundo o chefe do executivo angolano, mais de 61 mil jovens foram capacitados no ano passado em escolas de formação profissional e, no primeiro semestre deste ano, estavam matriculados mais de 27 mil jovens nestas instituições.

As elevadas taxas de desemprego têm sido uma das principais fragilidades do Governo de João Lourenço e já levaram à rua centenas de jovens reivindicando o cumprimento das promessas eleitorais de criar 500 mil empregos.

A última marcha do desemprego, a quinta, aconteceu no dia 25 de setembro e juntou centenas de jovens manifestantes em Luanda.

O Presidente angolano destacou também os avanços do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) que contempla 1.749 projetos, dos quais 1.200 estão em construção 12 terminados e 537 processos em fase de tramitação, sendo a execução financeira superior a 67 mil milhões de kwanzas (89 milhões de euros).

Quanto ao programa de privatizações, adiantou que dos 195 ativos, 40 estão em fase de concurso público e 14 já foram privatizados, representando um encaixe de mais de 31 mil milhões de kwanzas (41 milhões de euros).

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