Agravamento da crise energética pode pesar fortemente sobre economia alemã

O Bundesbank, banco central alemão, adverte no seu relatório de estabilidade financeira de 2022 que o agravamento da crise energética, caso ocorra um racionamento de gás, poderá pesar fortemente sobre a economia alemã.

O Bundesbank, banco central alemão, adverte no seu relatório de estabilidade financeira de 2022 que o agravamento da crise energética, caso ocorra um racionamento de gás, poderá pesar fortemente sobre a economia alemã.

A vice-presidente do Bundesbank, Claudia Buch, disse também hoje, ao apresentar o relatório, que "um agravamento da crise energética, uma forte recessão económica e uma subida acentuada das taxas de juro do mercado poderiam exercer uma pressão considerável sobre o sistema financeiro alemão".

Buch recordou que a subida dos preços da energia aumentou as exigências colaterais das empresas de energia nos mercados de derivados.

Os requisitos máximos diários iniciais agregados de garantias para as empresas energéticas eram de algumas centenas de milhões de euros há alguns anos, mas atingiram 10.000 milhões de euros no quarto trimestre de 2021 e mais de 17.000 milhões de euros no primeiro trimestre de 2022, de acordo com números do relatório do Bundesbank.

Como resultado, muitas empresas de energia foram obrigadas a ter muita liquidez para cobrir estes novos requisitos de garantia.

Se as empresas de energia não tiverem liquidez suficiente para cobrir estes requisitos de garantia, devem reduzir as atividades no mercado de derivados, e esta redução no fornecimento pode aumentar ainda mais os preços da energia nos mercados de derivados, adverte o Bundesbank.

Para financiar as necessidades temporárias de liquidez das empresas energéticas alemãs e assegurar o fornecimento de energia, o Governo alemão criou um programa de crédito de 100.000 milhões de euros através do Kreditanstalt für Wiederaufbau und Wirtschaftsbank (KfW) estatal e garantido pelo Governo.

"As medidas do Governo conseguiram aliviar a falta de liquidez das empresas do setor da energia. Globalmente, a oferta de crédito à economia tem funcionado bem até agora", de acordo com o Bundesbank.

Em geral, as empresas de energia que comercializam derivados estão a lidar com as consequências do aumento dos custos energéticos com empréstimos bancários, que aumentaram desde a invasão da Ucrânia pela Rússia.

As empresas energéticas e os produtores de eletricidade da zona euro aumentaram as suas linhas de crédito em 200%, de acordo com os números do relatório de estabilidade financeira do Banco Central Europeu (BCE), publicado há uma semana.

Especificamente, de acordo com dados do BCE, os bancos aumentaram as suas linhas de crédito aos geradores de energia de 3.000 milhões de euros para mais de 6.000 milhões de euros entre março e abril de 2022.

A maior parte do aumento destas linhas de crédito para cobrir perdas e necessidades de liquidez provém da Alemanha.

"Para assegurar que as tensões não se amplifiquem através do sistema financeiro, as instituições financeiras devem ser suficientemente resistentes", disse a vice-presidente do Bundesbank ao apresentar o relatório.

Um agravamento da crise energética poderia desencadear perdas nos bancos e o contágio à economia real.

A companhia de gás alemã Uniper, que vai ser nacionalizada, necessita de um novo aumento de capital de até 25.000 milhões de euros através da emissão de novas ações, porque os 8.000 milhões de euros previstos no plano de resgate serão insuficientes para a estabilizar.

A empresa alemã acordou com o Governo alemão, no final de setembro, um plano de resgate, tendo em conta as perdas acumuladas de 40.000 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, devido ao facto de não receber gás russo e de ter de o comprar muito mais caro a outros fornecedores para cumprir os contratos com os clientes.

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