Adaptação climática pode custar 258.000 milhões até 2030 ou 430.000 milhões de euros até 2050

A adaptação às alterações climáticas custará aos países em desenvolvimento 300 mil milhões de dólares (258 mil milhões de euros) por ano até 2030, indicou esta quinta-feira a ONU.

Lusa
Secretário-geral da ONU, António Guterres. © EPA/MAXIM SHEMETOV

E se as metas de mitigação não forem atingidas o valor aumentará para 500 mil milhões de dólares (430,6 mil milhões de euros) até 2050, advertiu.

O financiamento atual é apenas um quarto dos 300 mil milhões de dólares previstos para 2030, adverte-se num relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), divulgado antes da Conferência sobre Alterações Climáticas que começa sexta-feira em Glasgow, Escócia.

"Cumprir as promessas de 100 mil milhões de dólares (86,1 mil milhões de euros) por ano para o Fundo Climático Verde é uma obrigação em Glasgow", disse a secretária-geral da UNCTAD, Rebecca Grynspan, acrescentando que também são necessários outros compromissos.

"São necessários esforços concertados a nível multilateral para assegurar o financiamento de que os países em desenvolvimento necessitam para se adaptarem ao agravamento dos impactos das alterações climáticas", acrescentou.

A UNCTAD apelou a uma reforma do sistema financeiro, que incluiria um aumento da ajuda estatal para o desenvolvimento.

"Se os países do G7 tivessem atingido o objetivo de 0,7% da ajuda ao desenvolvimento até 2020, teriam estado disponíveis 155 mil milhões de dólares adicionais", sublinha-se no relatório da ONU.

No mesmo documento recomenda-se a reestruturação e o perdão da dívida para os países mais vulneráveis às alterações climáticas, mais empréstimos por parte dos bancos multilaterais de desenvolvimento, e um maior alcance dos mercados de obrigações verdes, que são atualmente severamente restringidos por várias políticas reguladoras.

A UNCTAD advertiu, por outro lado, que as pressões para liberalizar o mercado de produtos e serviços relacionados com a proteção ambiental beneficiariam principalmente os exportadores dos países desenvolvidos, reduzindo as capacidades fiscais das economias em desenvolvimento.

Em particular, no relatório prevê-se que as economias em desenvolvimento poderão perder anualmente 15 mil milhões de dólares (quase 13 mil milhões de euros) em receitas tarifárias se tal liberalização for alcançada.

Ao mesmo tempo, a agência da ONU salientou que as tecnologias verdes devem ser classificadas como bens públicos e, portanto, o seu acesso deve ser acessível a todas as economias.

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