Saída de Boris Johnson à vista. PM britânico anuncia demissão

Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson disse que se manterá na chefia do Governo até ser substituído à frente do partido.

Dinheiro Vivo/Lusa
Britain's Prime Minister Boris Johnson reacts as he meets with Portugal's Prime Minister Antonio Costa at 10 Downing Street, in London, on June 13, 2022. (Photo by Aaron Chown / POOL / AFP) © AFP
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anuncia a demissão esta quinta-feira © AFP

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, demitiu-se esta quinta-feira como líder dos conservadores, mas disse que se manterá na chefia do Governo até ser substituído à frente do partido.

"Concordei que o processo de escolha de um novo líder deve começar hoje", disse Johnson à porta de Downing Street, a residência e gabinete oficial do primeiro-ministro.

O governante disse que estava "triste por desistir do melhor emprego do mundo" e referiu ainda que o calendário para a eleição de um novo líder dos conservadores será estabelecido na próxima semana.

A demissão do líder conservador, de 58 anos, ocorreu após a saída de dezenas de membros do seu executivo nas últimas 48 horas.

As estações de televisão britânicas BBC e Sky News haviam noticiado na manhã desta quinta-feira que Boris Johnson havia concordado demitir-se e como tal as reações não se fizeram esperar. O líder da oposição do Reino Unido, o trabalhista Keir Starme, disse que "é uma boa notícia para o país" que o primeiro-ministro se venha a demitir, frisando que tal "já deveria ter ocorrido há muito tempo".

Em comunicado, Starmer considerou que o Reino Unido "não necessita de mudar de 'tory' (membro do Partido Conservador, cujo líder chefia o executivo)", mas sim "de uma mudança completa de governo".

Por seu turno, a chefe do governo da Escócia, Nicola Sturgeon, disse que o chefe do Executivo britânico, Boris Johnson "sempre foi incapaz de ser primeiro-ministro".

Através de uma mensagem na rede social Twitter, Sturgeon considerou, por outro lado, que o "'défice democrático' inerente a Westminster (parlamento do Reino Unido) não se soluciona com uma mudança de primeiro-ministro".

"Os problemas vão mais além de apenas um indivíduo. O 'sistema' de Westminster está danificado", acrescentou.

Também a presidência russa indicou que espera "gente mais profissional" no poder no Reino Unido, referindo-se a uma provável demissão do primeiro-ministro, Boris Johnson.

"Nós esperamos que um dia chegue ao poder na Grã-Bretanha gente mais profissional e capaz de tomar decisões através do diálogo", disse hoje o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, questionado sobre a crise política em Londres.

"(Boris Johnson) não gosta muito de nós e nós também não gostamos dele", acrescentou Peskov, sem se referir à posição do Reino Unido em relação à invasão da Ucrânia.

Informações publicadas na quarta-feira indicavam que Boris Johnson comunicou ao Governo que não se ia demitir.

No entanto as demissões dos ministros não pararam. A nova ministra da Educação britânica, Michelle Donelan, nomeada na quarta-feira, anunciou esta quinta-feira a demissão do cargo e o novo ministro das Finanças Nadhim Zahawi apelou a Boris Johnson para "se demitir".

Também o ministro britânico para a Irlanda do Norte, Brandon Lewis apresentou a sua demissão esta quinta-feira, protestando contra a permanência de Boris Johnson no cargo. Em 48 horas demitiram-se 50 elementos do executivo.

Notícia atualizada às 13.12 horas.

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