Putin está a ganhar a guerra nos mercados de energia

Moscovo está a arrecadar milhões de euros com petróleo, conforme se instala a crise energética na Europa. Fundos fundamentais para financiar a invasão da Ucrânia. E as sanções europeias não estão a ter os efeitos que se esperava.

Filipa Quito
Vladimir Putin. presidente da Rússia © EPA/MIKHAIL METZEL

O presidente russo, Vladimir Putin, está a ganhar a guerra nos mercados da energia. Moscovo está a conseguir arrecadar milhões de euros diariamente para financiar a invasão da Ucrânia e comprar apoios. Quando as sanções europeias contra as exportações russas de crude começarem a ser aplicadas, a partir de novembro, os governos vão ter de tomar decisões complexas à medida que a crise energética começar a atingir os consumidores e empresas, aponta a Bloomberg.

Os custos de eletricidade para famílias e empresas vão escalar ainda mais, a partir de outubro, antecipa Javier Blas, numa análise publicada naquele económico, prevendo que o aumento das receitas do petróleo de Moscovo permitirá ao presidente russo sacrificar as receitas do gás, espremendo o abastecimento à Europa. Isso levará os preços no Reino Unido a subir até 75% e na Alemanha até 100%, deixando os governos ocidentais sob enorme pressão. Os líderes do bloco europeu serão empurrados para gastos de milhões de euros, para suportar os custos crescentes das famílias, que podem ser insustentáveis para muitas delas, ou em alternativa a assumir o controlo das empresas de energia, como França já está a fazer, para duplicar a sua produção de energia nuclear.

"O primeiro indicador que mostra que Putin virou a maré do petróleo é produção russa de crude. Em julho, a produção do país subiu para níveis próximos dos anteriores à guerra, com uma média de quase 10,8 milhões de barris por dia, apenas 0,2 abaixo do nível de janeiro", frisa Blas, no mesmo artigo, explicando que não se trata de um momento excecional: foi o terceiro mês consecutivo de recuperação da produção, depois de a guerra ter levado os compradores europeus a abandonar o crude russo. Em poucos meses, Moscovo encontrou alternativas para o escoar na Ásia - Índia -, mas também Turquia e Médio Oriente.

De acordo com o autor do texto publicado na Bloomberg, o segundo indicador é o preço do petróleo, que voltou a escalar depois de não poder ser escoado sem enormes descontos. Nas últimas semanas, o Kremlin recuperou vantagem a esse nível, num mercado bastante limitado.

Sem surpresas, "Moscovo está a encontrar novos compradores, muitas vezes a operar a partir do Médio Oriente e Ásia, que são, provavelmente, financiados com dinheiro russo, dispostos a comprar o petróleo em bruto e a enviá-lo para mercados" que dele mais necessitam, explica Blas, situando nos 20 a 25 dólares o preço médio do barril russo, enquanto o Brent está perto dos 97 euros por barril. As sanções não estão, portanto, a resultar.

O sucesso político da Rússia é o terceiro e último indicador apontado pelo autor. Em março e abril, os políticos ocidentais ficaram convencidos de que a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), liderada pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos "tinham terminado a aliança com a Rússia". Tal não aconteceu.

Esta vantagem no mercado energético prova de que o presidente Putin pode prescindir das receitas e restringir as vendas de gás natural à Europa, conseguindo exercer um controlo e pressão a cidades como "Berlim, Paris e Londres, que a preparar-se para os aumentos em massa dos preços da energia".

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