BCE vê com preocupação que mercados antecipem subida das taxas de juro

A entidade reconhece que aumentaram os riscos inflacionistas, mas crê que é importante evitar tanto uma reação exagerada como uma inação indesejada.

Alguns membros do Banco Central Europeu (BCE) veem com preocupação que os mercados antecipem uma primeira subida das taxas de juro muito antes do que previam em setembro devido à subida da inflação.

Segundo as atas da reunião do BCE de 28 de outubro, divulgadas esta quinta-feira, alguns membros do Conselho de Governadores mostraram preocupação por as expectativas sobre as taxas de juro a curto prazo no mercado serem difíceis de conciliar com a orientação que o banco dá aos mercados sobre o que fazer com as suas taxas de referência.

O BCE acrescenta que os mercados antecipavam no final de outubro que o primeiro aumento das taxas de juros seria muito mais cedo do que tinham previsto em setembro.

A entidade reconhece que aumentaram os riscos inflacionistas, mas crê que é importante evitar tanto uma reação exagerada como uma inação indesejada.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, tem repetido nas últimas semanas que "é muito improvável" que estejam reunidas as condições para subir as taxas de juro no próximo ano.

Lagarde defende que é preciso evitar "reações exageradas" à subida dos preços na zona euro, num momento em que a recuperação da crise pandémica continua frágil e condicionada pela crise mundial nas cadeias de abastecimento.

"Ainda que a subida da inflação dure mais do que o previsto, esperamos que desacelere durante o próximo ano", declarou Christine Lagarde, após a reunião do Conselho de Governadores de outubro.

"Continuamos a prever que a inflação a médio prazo permaneça inferior ao nosso objetivo de 2%", afirmou, reiterando que a subida das taxas de juro só terá lugar quando isso se verificar.

As atas agora publicadas mostram que o BCE quer ter opções suficientes a partir de finais de março de 2022 (quando termina o seu programa de compra de dívida de emergência para atenuar os efeitos da pandemia) e considera que as projeções de crescimento e de inflação de dezembro, nas quais se baseia para tomar decisões, não vão afastar todas as incertezas sobre a evolução da inflação.

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