Brasil recebe 254,4 mil milhões de euros por petróleo do pré-sal em 10 anos

Os contratos para exploração de petróleo no pré-sal, horizonte de exploração em águas muito profundas que o Brasil descobriu no Oceano Atlântico, vão render ao país 285 mil milhões de dólares (254,4 mil milhões de euros) em 10 anos.

Os dados foram divulgados na quarta-feira pelo Governo brasileiro e o valor inclui a receita de royalties (92 mil milhões de dólares ou 82,1 mil milhões de euros), arrecadação de impostos (77 mil milhões de dólares, 68,7 mil milhões de euros) e os lucros da comercialização do petróleo que correspondem ao Estado pelos contratos de associação (116 mil milhões de dólares, 103,5 mil milhões de euros), segundo estimativas da estatal Pré-Sal Petróleo (PPSA).

"Quatro contratos estão em produção atualmente e em setembro, segundo os nossos últimos números, a participação do Estado na sua produção era de 11 mil barris de petróleo por dia. Estamos falando em ter um milhão de barris por dia em dez anos", disse Eduardo Gerk, presidente da entidade.

Segundo o executivo, o cenário daqui a dez anos é "muito promissor", já que 70% da produção acumulada até 2031 virá de áreas já declaradas comerciais.

Os campos do pré-sal, os mais produtivos da potência sul-americana, estão localizados em águas muito profundas do Atlântico, abaixo de uma camada de sal de dois quilómetros de espessura.

A exploração do petróleo proveniente das áreas do pré-sal é regida por normas de contratos por associação, modelo que prevê que se entregue ao Estado parte da produção das empresas detentoras dos direitos de exploração dessas áreas.

O estudo da PPSA considerou a produção de áreas já contratadas e em que a maior parte dos campos já foi declarada comercial, o que atesta a capacidade de extração de petróleo nessas zonas.

As estimativas apontam para uma produção de 8,2 mil milhões de barris de petróleo nos próximos dez anos em regime de associação.

Assim, a produção média diária em 2031 será de cerca de 3,5 milhões de barris de petróleo por dia (bpd), o equivalente a dois terços da produção nacional estimada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para esse ano.

Em 2022, primeiro ano do período analisado nesta edição do estudo, a quota de petróleo do Governo será de 24 mil bpd, quota que chegará a cerca de um milhão de barris de petróleo por dia em 2031.

Para o desenvolvimento das atividades no horizonte do pré-sal, estão previstos investimentos de 99 mil milhões de dólares (88,3 mil milhões de euros) até 2031, dos quais 33 mil milhões de dólares (29,4 mil milhões de euros) serão destinados a plataformas de produção, 37 mil milhões de dólares (33 mil milhões de euros) à exploração de poços e 29 mil milhões de dólares (25,8 mil milhões de euros) a sistemas submarinos.

A petrolífera estatal brasileira Petrobras anunciou na quinta-feira que pretende investir 68 mil milhões de dólares (60,7 mil milhões de euros) para o período 2022-2026. Desse valor, 57 mil milhões de dólares (50,8 mil milhões de euros) serão destinados ao segmento de exploração e produção de petróleo, dos quais 67% serão destinados aos ativos do pré-sal.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Brasil, o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, disse que a empresa "mantém a sua estratégia consistente de focar em projetos com pleno potencial de gerar recursos e contribuições para a sociedade brasileira".

Segundo previsões da estatal, a produção do pré-sal representará 79% do total da companhia no fim de 2026 com base na entrada em operação de 15 plataformas nesses campos.

Com foco no pré-sal, a petrolífera não prevê investimentos em energias renováveis, mas salientou que "está avançando na análise de possíveis novos negócios que possam reduzir a exposição e a dependência das fontes fósseis".

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