Comércio externo da China recupera em maio com levantamento de medidas de confinamento

O comércio externo da China foi este ano prejudicado pela queda na procura global e pelas restrições impostas em várias cidades e províncias, para prevenir o alastrar de surtos de covid-19, sob a estratégia de "zero casos".

O comércio externo da China recuperou, em maio, face ao atenuar das medidas de prevenção epidémica em Xangai e outros importantes centros industriais do país, segundo dados das alfândegas chinesas.

As exportações subiram 16,9%, em relação ao mesmo mês do ano anterior, para 308,3 mil milhões de dólares (mais de 287 mil milhões de euros), acima do crescimento de 3,7%, alcançado em abril. As importações subiram 4,1%, para 229,5 mil milhões de dólares (quase 214 mil milhões de euros), depois de terem aumentado 0,7%, no mês anterior.

O comércio externo da China foi este ano prejudicado pela queda na procura global e pelas restrições impostas em várias cidades e províncias, para prevenir o alastrar de surtos de covid-19, sob a estratégia de "zero casos".

Xangai, sede do porto mais movimentado do mundo, sofreu um bloqueio de dois meses. Também a província de Jilin foi sujeita a medidas de confinamento altamente restritivas. Em Pequim ou Cantão as medidas de confinamento foram parciais.

A queda no consumo interno, devido às medidas de prevenção, também afetou as importações, nos meses anteriores.

Os analistas reduziram as estimativas de crescimento económico da China para até 2% este ano, bem abaixo da meta oficial, estipulada pelo Partido Comunista, de "cerca de 5,5%".

Alguns analistas preveem uma recessão para este trimestre, antes do início de uma recuperação gradual.

A maioria das fábricas, lojas e outros negócios, em Xangai, Pequim e outras cidades, foram autorizadas a reabrir, mas devem precisar de semanas ou meses para retomar os níveis normais de atividade.

"As exportações mostraram uma resiliência considerável em maio, apesar do impacto do prolongado bloqueio de Xangai", disse Rajiv Biswas, da S&P Global Market Intelligence, num relatório.

"A perspetiva para o segundo semestre de 2022 é de uma recuperação mais forte das importações, à medida que a procura doméstica recupera", acrescentou.

O excedente comercial da China aumentou 82,3%, em relação ao mesmo período do ano anterior, para 78,8 mil milhões de dólares (73,4 mil milhões de euros).

O porto de Xangai informou que o número de contentores de carga movimentados diariamente recuperou para 95% dos níveis normais, no final de maio.

No entanto, o acumular de dezenas de milhares de contentores provavelmente causarão atrasos que serão sentidos em todo o mundo.

O valor conjunto das importações foi impulsionado pelos preços globais mais altos do petróleo e de outras matérias-primas, mas o volume de mercadorias compradas ao exterior registou um crescimento mais lento.

As autoridades responderam às reclamações sobre o custo crescente da estratégia de "zero casos" de covid-19 através de uma abordagem mais direcionada, que inclui o isolamento de prédios ou complexos residenciais onde casos são detetados, em vez do bloqueio de cidades inteiras.

A economia da China cresceu 4,8% no primeiro trimestre do ano, em termos homólogos.

Isto representou uma melhoria, em relação à taxa de 4%, alcançada nos últimos três meses de 2021, mas os indicadores económicos do trimestre atual são sombrios.

As vendas de automóveis em abril caíram quase para metade, em relação ao período homólogo. Os gastos no setor retalhista caíram 11%.

O Partido Comunista está a tentar sustentar o crescimento com benefícios fiscais para os empresários, crédito mais acessível e o lançamento de obras públicas. O Banco Mundial alertou, esta semana, que estas políticas podem atrasar os esforços de Pequim para incentivar o crescimento baseado no consumo, em vez do investimento alimentado pela dívida.

Alto endividamento "acarreta mais riscos no futuro", disse o economista-chefe do Banco Mundial para a China, Ibrahim Chowdhury, em comunicado.

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