Espanha trava entusiasmo para reunião do Eurogrupo

Ministros das Finanças reúnem-se sob comando de Mário Centeno para dar à zona euro mais músculo para enfrentar futuras crises financeiras.

Entre o entusiasmo dos franceses e a sensibilidade dos alemães, os ministros das Finanças da zona euro reúnem-se esta tarde para discutir propostas para o reforço dos instrumentos de resposta dos países da moeda única a futuras crises.

Em cima da mesa estão temas tão complexos como a conclusão da União Bancária, um orçamento para a zona euro ou o fortalecimento do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), transformando-o numa espécie de Fundo Monetário Europeu.

O presidente francês e mesmo a chanceler alemã avançaram com várias ideias para discutirem na cimeira de chefes de estado e de governo no dia 14 deste mês, entre elas a criação de um ministro europeu das finanças e um orçamento único da zona euro.

A poucas horas do início do encontro do eurogrupo, e a poucos metros do local da reunião, o comissário Europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros mostrava-se confiante num bom resultado. “Temos de completar algumas reformas. A união bancária tem que avançar. Espero que esta tarde seja desbloqueada. Caso contrário vai ser uma desilusão”, afirmou Pierre Moscovici, referindo-se às reservas da Alemanha sobre a ajuda a países em dificuldades.

Numa conferência dedicada aos 20 anos do euro, em Bruxelas, o responsável europeu referiu também que espera que sejam dados passos concretos para um orçamento da zona euro para “enfrentar choques”. Moscovici acredita ainda num avanço na união bancária, que inclui o sistema europeu de garantia de depósitos.

A ambição prudente de Espanha

Mais prudente quanto aos resultados da reunião de hoje dos ministros das Finanças do eurogrupo mostrou-se a ministra da Economia de Espanha. “A posição de Espanha é, ao mesmo tempo, ambiciosa, mas também pragmática, no sentido em que não vamos conseguir tudo esta noite, afirmou Nadia Calviño.

Uma situação que na perspetiva da responsável espanhola não deve ser vista como um falhanço nas negociações. “O que temos é uma visão para o futuro. E avançarmos devagar não deve ser visto como um falhanço ou insucesso”, rematou Calviño, para quem o caminho deve ser feito “através de pequenos passos, que as pessoas percebam.”

Antes, Itália

Mas antes de entrar nestes temas, os ministros das Finanças da zona euro vão discutir os orçamentos nacionais, no âmbito do semestre europeu.

O Eurogrupo vai pronunciar-se sobre a decisão inédita do executivo comunitário de rejeitar um plano orçamental de um dos seus membros, neste caso a Itália, por considerar que a proposta contém um risco particularmente grave de incumprimento, e de recomendar a abertura de um procedimento por défice excessivo com base na dívida.

Também inédito será ver o presidente do Eurogrupo, na véspera de comemorar um ano da sua eleição, ‘validar’ o parecer ‘negativo’ da Comissão Europeia sobre o plano orçamental que elaborou para o seu país. Em 22 de novembro, Bruxelas considerou que o Orçamento do Estado de Portugal para o próximo ano (OE2019) apresenta um risco de incumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento, e pediu medidas se estas se revelarem necessárias.

O jornalista viajou a convite da Comissão Europeia

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